Comida grátis em cicloviagem – Pinhão

Pedalar pela Serra Catarinense em pleno inverno tem lá suas vantagens, é só passar por umas Araucárias, recolher uns pinhões e umas grimpas pelo chão que a comida grátis, calórica e deliciosa está garantida.

Comida grátis em cicloviagem – Suco de Laranja

Este é o primeiro vídeo de nossa cicloviagem pela América do Sul, sempre que podemos comer algo de graça não perdemos a oportunidade. Como estava na época de laranja e bergamotas em Santa Catarina – Brasil ninguém nos negava uma sacolada dessas delícias doces, combustível para muitas horas de pedal.

Grãos Viajantes

Sempre carregamos conosco um pote hermético para deixar os grãos de molho durante o dia de pedalada. Assim os grãos vão absorvendo água e à noite, quando é hora de cozinhar eles já estão macios e gastam menos combustível para cozinhar. Fazemos isso com frequência com arroz e lentilhas, ervilhas e grão de bico.

Maionese Instantânea Vegana de Camping

Esta é uma receita que temos feito sempre que conseguimos encontrar pão. Acompanha muito bem no café da manhã e num lanche da tarde. É mega rápida de preparar, saborosa e muito barata!

Ingredientes:

- 2 colheres de sopa de extrato de soja em pó (leite de soja em pó)

- água

- azeite de oliva extra virgem (ou óleo vegetal de sua preferência)

- sal a gosto

Modo de preparo:

Em um recipiente misture o extrato de soja e o sal. Vá adicionando água e misturando até virar uma pasta. Adicione o óleo aos poucos sempre misturando com a colher, a quantidade que desejar, mas não exagere. Se quiser  mais líquida é só adicionar mais um pouco de água.

Faça pouca quantidade para não sobrar e precisar guardar. Sirva com pão ou arepas, sobre saladas, um prato de arroz ou macarrão.

SOPA DE ERVILHA/LENTILHA

Ingredientes:

- Lentilha ou ervilha

- água

- sal a gosto

* A quantidade depende da sua fome, mas para ter uma noção, para nós dois bem esfomeados preparamos 250g do grão para uma mono refeição.

Modo de Preparo:

Pode deixar os grãos de molho por algumas horas antes do cozimento, para gastar menos fogo ou cozinhar mais rápido. Nós levamos conosco um pote hermético e vamos pedalando com os grãos de molho para cozinhar mais rápido à noite. Cozinhe as ervilhas ou lentilhas sempre cobertas em água até estarem se desmanchando. Se tiver pouco combustível para fogareiro ou quiser economizar, pode cozinhar 5 minutos, desligar e esperar 10 minutos, e voltar a ligar, repetindo este esquema até que estejam cozidas, mas é preciso mais tempo para ficarem prontas. Ficará um molho espesso e verdinho no caso das ervilhas, e marrom no caso das lentilhas. Tempere e sirva. Proteínas para o dia sem crueldade!

Sopa Delícia

Ingredientes:

- Abóbora verde, água e sal a gosto

Modo de preparo:

Abra a abóbora e retire as sementes. Pique em pedaços grandes tomando muito cuidado pois ela é bem dura. Descasque os pedaços e pique em pedaços menores para cozinhar mais rápido. Cozinhe as abóboras cobertas com água até que fiquem macias. Cozinham bem rápido! Depois de cozidas, amasse os pedaços na panela mesmo, sem descartar a água. Tempere a gosto. E Aproveite, é ideal para noites frias de inverno, aquece o corpo e perfuma a barraca!

De Urubici a Tangará

Saímos de Urubici depois de descansar uns dias, subir o Morro da Igreja, ver um parto de terneiro, esperar passar a chuva e chegar o frio. O céu estava nublado mas a previsão era de poucos milímetros. Poucos milímetros que nada. A garoa fina aos poucos foi engrossando, quando já passava das 15h combinamos de procurar logo um abrigo para passar a noite. Nem bem terminamos de falar, no final da subida encontramos uma garagem de tratores usado na época da colheita da maçã. Uma família morava ao lado, nos deram permissão de acampar ali e muita simpatia. O Claudio e a Tania trabalham com plantação de hortaliças e grãos e a família inteira ajuda na lida. Nos trataram com muito carinho, tomamos chimarrão e uns goles de quentão ao lado do fogão à lenha no chegar da noite. E pela manhã compartilhamos um café antes de sair para o pedal.

Chegamos em Urupema depois de muito subir, já no fim da tarde. O trecho que nos disseram que era quase plano foi só uma piada de mal gosto. Subir, subir e subir. Mas chegando no centro, só descidas até a simpática cidade, encontramos a solidariedade da família do Felipe, que abriu as portas de sua casa e nos ofereceu banho quente e um abrigo para passar a noite. O banho aceitamos, e até uma cuia de chimarrão, mas não acampar em Urupema não estava nos nossos planos, pois desejávamos testar se nossos agasalhos seriam suficiente para o frio que vem pela frente. O pessoal confirmou que na noite anterior havia nevado, perdemos de ver a neve por um dia, pois em Rio Rufino ainda não estávamos tão alto. Ficamos 3 dias em Urupema esperando que a previsão de neve se confirmasse. Mas só apareceu vento e chuva. Ainda bem que estávamos bem instalados no CTG, com pinhão grátis caindo das árvores todo dia, riacho, lenha e um gramado confortável. No último dia até apareceu um amigo.


Descemos de Urupema a Painel, depois de encher a pança de pinhão. Nos abrigamos no  Parque de exposições, mas o local era mais frio que o interior da barraca. Primeira noite realmente gelada, primeiro dia de pedal com frio. A estrada de Painel até um pouco depois de Lages foi terrível. Acostamento deteriorado, pedra solta, mato e muito movimento, sem falar do vento constante. Foi aí que tivemos o primeiro pneu furado. Passar em rodovia perto de cidade grande é grande a chance de ter furos. Acampamos novamente no pátio de uma Igrejinha, e pela manhã um véu branco de geada cobriu a paisagem.

As próximas duas noites pegamos geada. Barraca e bikes congeladas. Novamente acampamos no pátio de uma Igrejinha um pouco antes de Vargem. E na seguinte, por falta de opção acampamos numa lavoura de aveia, há alguns quilômetros de Campos Novos. Ali passamos momentos de tensão a noite, quando o André avista 3 luzes descendo pelo meio da lavoura, provavelmente caçadores. Felizmente logo foram embora e provavelmente não nos viram. Ao amanhecer um espetáculo para nossos olhos, tudo congelado!


Pegamos o rumo de Espinilho por estradas de chão até o interior de Tangará, na comunidade de Marari. A estrada nos revelou surpresas logo no início. Bem pertinho de nós um passarinho muito bonito parecia que posava para foto. Preparo a câmera e “zum”, passa um carro e assusta o passarinho. Procura e procura o passarinho e nada. Foi quando vimos uma mamãe bugio carregando seu filhote nas costas, logo se aproximam mais dois macacos. Mais adiante novamente um exemplar do mesmo passarinho se empoleira numa árvore na beira da estrada. Pego a câmera e “vrum”, outro carro passa e assusta o passarinho que some nas árvores. Não que passasse muito carro por ali, ainda mais no domingo. Mas eles escolhiam passar por nós só quando preparávamos pra fotografar passarinhos ou para usar o mato como banheiro. Inacreditável!

Chegamos numa bifurcação e pela direção do sol escolhemos um rumo. Na primeira casa perguntaremos…nada de casas! Por alguns quilômetros pensamos ter pego o caminho errado. Nenhum morador, não passava nenhum veículo. Somente plantação de pinus, até onde os olhos alcançam. Encontramos uma placa enfiada no mato, mas que não indicava muito bem a direção.

Chegando em Marari ao fim da tarde procuramos a igreja para novamente acampar no gramado. Mas conversando com os moradores descobrimos pessoas com parentesco que nos convidaram a ficar em sua casa. A família do seu Ivanir nos acolheu na noite fria. Horas e horas de conversa ao lado do fogão à lenha, muita curiosidade nossa sobre a vida no sítio e muito assunto. Partimos pela manhã depois de conhecer a propriedade da família, com muitas bergamoteiras e laranjeiras de todo tipo, máquinas para o trabalho no campo e os animais criados ali.

A emoção de chegar na cidade natal de bicicleta eu ainda não conhecia, parece que é mentira, como se estivéssemos em outro lugar e sendo enganados pelos olhos. O André já havia experimentado esta sensação, pois ele já foi até Ourinhos de bici em 2009. Meus pais não estavam esperando que chegássemos esta semana e foi uma surpresa quando nos viram. Logo depois de chegarmos começa a chuva, e lá se vão 3 dias de chuva e frio aconchegados em casa só fazendo reservas corporais para os próximos dias de viagem!

Em breve pegamos a estrada novamente. Ainda precisamos arrumar algumas coisas que não tivemos tempo em Floripa, reorganizar objetos que se revelaram pouco úteis e roupas desnecessárias, decidir a rota e possíveis estradas para a próxima perna da viagem até o extremo oeste do estado.

Temos mais fotos desta parte da viagem, vejam clicando aqui.

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De Santa Rosa de Lima a Urubici

Chegamos em Santa Rosa pela manhã, tratamos de nos abastecer de mantimentos e informações. Fomos ao escritório da Acolhida na Colônia, em busca de dicas sobre estradas que cortassem caminho, para que não fosse preciso passar por Rio Fortuna e Grão Pará. Conseguimos as dicas por lá, mas acabamos errando parte do caminho indicado. A estrada ainda não tem mapeamento pelo Acolhida e nem aparece no google maps, mas estava sinalizada em algumas partes. Como no momento da encruzilhada não encontramos ninguém para perguntar, seguimos em frente. De qualquer maneira o caminho que pegamos sai no mesmo local, em Aiurê. Mas pelo que nos informaram acabamos pegando o caminho mais difícil. Enfim, subimos e descemos, mas o caminho era lindo! Não passou nenhum veículo por nós no trecho que pegamos errado, a não ser uma tobata.

Acampamos em Rio Chapéu, ao lado da Igreja e centro comunitário. Para nos certificar de que não haveria bolas voando em nossa direção pela segunda noite consecutiva, fomos perguntar a dona Erica. Limpeza, nada de jogos. Nada de jogo uma ova! Haha, menos mal que era dentro do ginásio, mas como a galera vinha de moto, a bagunça foi garantida até as dez e meia da noite. Como nosso dia é muito cansativo, essa hora já é madrugada pra gente, e já estaríamos no quinto sono caso estivesse silencioso. Que nada, duas noites conscutivas de futebol é só pra testar a paciência.

Lá fomos nós em direção a Aiurê. Enquanto esperamos o mercado abrir, conhecemos o seu Fernando, uma figura centenária, acabava de completar 100 anos e está muito lúcido. Contou-nos histórias sobre sua juventude e sobre a região. Nos revelou o segredo de sua saúde: comer pouco, quase nada de carne. Aeeeee seu Fernando, bate aqui! Tamo junto, hehehe.

De Aiurê enfrentamos o começo das subidas mais brutais até agora. Acampamos aos pés da Serra do Corvo branco, em um gramado digno dos teletubies. Como não era plano, garantido que não haveria futebol por ali esta noite. Certeza! Bingo, acertamos. Noite calma e silenciosa. Ao amanhecer, assistimos o espetáculo do nascer do sol, e começamos a subir. A Serra do Corvo Branco é magnífica, e subindo assim devagar é o ideal, pois só assim há tempo para contemplar. Em cada curva um descanso, em cada descanso alguém estacionava para conversar conosco. Assim, passou rápido e logo estávamos lá em cima. Logo sim, demoramos 4h para subir com esse peso todo. Mas chegamos!

Descer a serra e tratar de seguir até Urubici, mas no meio do caminho uma placa para conhecer a furna do Rio do Bispo. Infelizmente a entrada é fechada somente para grupos com guia, sob o aluguel de cavalos, para percorrer 1km até lá. Desistimos de conhecer a furna, mas conhecemos o seu Antonio, senhor de uns 80 anos, morador das margens do rio do Bispo, que nos cedeu um pedaço de gramado para acamparmos. E sabe o que mais, o seu Antonio foi aluno do seu Fernando, lá em Aiurê, na época em que a vila nem tinha ainda este nome.

Dia seguinte seguimos para o centro de Urubici, pela nova estrada asfaltada. Quando estivemos aqui em 2009 ainda era estrada de chão. Agora parece até outra cidade. Paramos novamente na propriedade de outro Antonio, um velho conhecido, pois já acampamos aqui outras duas vezes. Ele e sua família nos acolheram novamente em sua fazenda, e no domingo até nos convidaram para o almoço. Pela tarde, o filho mais novo do seu Antonio nos levou conhecer as cavernas que ficam em sua propriedade. Um pouco de medo, mas acabamos entrando. Muito louco o que vimos lá dentro, além de aranhas bem esquisitas, uns cogumelos que jamais vimos antes.

Vamos ficar uns dias em Urubici, para conhecer alguns pontos turísticos que não conseguimos conhecer das outras vezes que estivemos na cidade. Depois seguimos rumo a Urupema, para tentar pegar algum frio, pois por enquanto só estamos é passando calor por aqui.