Bolsa de água de baixo custo

Sabemos da dificuldade de encontrar equipamentos aqui no Brasil. Ou os impostos são ridículos, o que pode chegar a triplicar o preço original do produto a ser importado, ou ainda a falta de interesse das empresas de vender no Brasil, justamente pela inviabilidade que os impostos nacionais impõe, e aí os produtos ficam encalhados nos estoques das lojas.

Por isso é preciso dar o seu jeitinho. No nosso caso, muitos equipamentos para a viagem que estamos realizando foram improvisados, tiveram baixo custo e nós mesmos fizemos. É o caso das bolsas de água que carregamos. Numa trilha que fizemos ao Cambirela, com o amigo Luciano, ele nos mostrou sua invenção: uma bolsa feita retalhos de jeans para carregar sua bolsa de água. A tal bolsa de água foi aproveitada de sacos de vinho, vendidos dentro de caixas aí no Brasil.

Resolvemos preparar duas bolsas para os sacos de vinho de supostamente 3,5L cada um. O que acabamos descobrindo é que eles podem carregar até 5L cada um quando bem cheios. Estamos usando os mesmos sacos há 9 meses de viagem, jogamos eles de qualquer jeito pra lá e pra cá, inclusive um dia o saco cheio caiu da bike enquanto pedalávamos e por sorte ou providência divina, os dois ainda estão em perfeito estado.

Tivemos a oportunidade de viajar algumas semanas com outro casal de ciclistas que carregava uma bolsa de água comprada, capacidade de 10L. Ficamos tentados a trocar as nossas bolsas feitas em casa por um destes, que são relativamente acessíveis no Chile, mesmo ainda não sendo um produto barato. Mas desistimos ao constatar que a tal bolsa deixa um gosto terrível na água. Mesmo assim, o sistema deles de torneira é muito mais prático que  o da bolsa de vinho, e o revestimento é uma espécie de cordura resistente a abrasão, além de oferecerem uma série de acessórios, desde torneiras mais práticas ainda, a filtros de água que podem ser acoplados. Não negamos a qualidade do produto, mas se seu objetivo é economizar no equipo de viagem, ou não cair na tentação consumista e fazer à mão os equipos que puder, então a bolsa de vinho é uma boa alternativa.

Esta bolsa de água caseira tem inúmeras vantagens:

  • Ocupa nenhum espaço quando vazia;
  • É muito leve, e fácil carregar alguns sacos extras na bagagem, caso algum venha a furar;
  • Possibilita carregar muita água extra para grandes travessias em áreas desérticas;
  • A capa preta facilita o aquecimento da água com luz solar possibilitando um banho morninho nos dias em que não pedalamos;
  • Muito prático para lavagem de louça;
  • Lhe dá a oportunidade de beber alguns litros de vinho;
  • Se você não bebe, pode conseguir esses sacos facilmente em restaurantes, e aí estará colaborando com o meio-ambiente através da reutilização de um ítem que iria virar lixo.

Se você está convencido a fazer um pra você, veja a sequência de fotos abaixo que demonstra como costurar a bolsa, e como adaptar o bico para facilitar a remoção do mesmo para recarregar de água. (Clique nas fotos para ver maior e ler as instruções)

A Casa ecológica da montanha

Ao entrarmos na Carretera Austral pegamos muita chuva e frio. Tínhamos o contato de um membro Warmshower em La Junta e para lá nos dirigimos. Mas ao chegarmos ao endereço havia um cartaz “Caros ciclistas, muita lama na entrada, há um bom lugar pra acampar perto da ponte. Desculpe o inconveniente.” Puts, ficamos desolados. Mas ao chegar na ponte vimos uma pessoa nos chamando. Era Konomi vindo em nosso resgate.

Ao chegarmos no alto da colina, o simpático casal nos convidou a jantar com eles uma deliciosa sopa vegana e orgânica. Ah, para repor as energias em grande estilo. Mas nada de chuveiro, muito menos água quente. A casa ecológica da montanha não tem água corrente, toda água é coletada do telhado quando chove, e a água que bebem é de uma nascente no terreno do vizinho.

Nos dias que seguiram aproveitamos para aprender um pouco mais sobre hortas em lugares frios e também tivemos a grande sorte de ajudar a construir alguns metros de parede da nova casa de hóspedes com sacos de terra no estilo superadobe.

Gostamos muito desta experiência. Paul e Konomi vivem neste lugar há 3 anos e desenvolvem este lindo trabalho. Ficamos com vontade de voltar e ver a casa de hóspede ser finalizada. Quem sabe aprender como colocar janelas, teto, e finalizar as paredes. Vamos ver o que o futuro nos reserva…

Mais fotos da viagem, confiram na nossa Galeria de Fotos aqui do blog, ou comentem nas fotos lá do álbum do Facebook.

A cozinha do cicloviajante

Levar tudo que você precisa na bicicleta, não é uma tarefa impossível como muita gente pensa. Levar uma “cozinha” à tiracolo também pode ser muito divertido, ainda mais quando você curte bancar o chef de cuisine. Muitos cicloviajantes preferem comer em restaurantes pois consideram o trabalho de cozinhar cansativo e desnecessário. Alguns, mesmo não levando utensílios pra cozinhar, e nem comendo em restaurantes, conseguem se virar numa boa só com garfo-faca-colher-caneca-e-prato, mas estes são os Macgyver’s da vida…

Nós curtimos cozinhar, e consideramos até um momento de lazer numa certa rotina de viagem de bicicleta, quando se pedala quase o dia todo. Mas estar independente de comida de restaurante é principalmente prestar atenção ao que você está ingerindo e fazer a combinação mais adequada para o dia sem exagerar, e conforme o que conseguir encontrar nos locais por onde passa. Claro que algumas vezes vamos à restaurantes, porém evitamos chegar ao extremo da necessidade sempre que possível. Sabe, quando bate a fome, o cheirinho de comida pronta é matador, e vem aquela preguiça de lavar as verduras, lavar a louça…Mas, sejamos fortes! Além disso em uma viagem mais longa, cozinhar pode representar uma grande economia e a possibilidade de permanecer mais tempo viajando e isso não significa que você não vá experimentar a culinária local. Mas, oras, não precisa experimentar a culinária local todo dia! Então tá, se lavar a louça hoje significa alguns dias a mais na estrada amanhã, isso é uma ótima motivação!

Nossa cozinha móvel já foi mais volumosa do que agora, mas acabamos removendo os ítens supérfluos. Recentemente paramos de consumir produtos de origem animal, nossa cozinha se modificou um pouco, e comprovamos que ficou ainda mais fácil. Ainda queremos escrever um pouco mais sobre esta mudança de hábitos alimentares antes do início da viagem, porque esse assunto rende!

Bom, vamos às bugigangas culinárias que levaremos na viagem! Acompanhe pela foto ao final do post.

  1. Suporte para panela
  2. Espiriteira a álcool  Modelo Open Jet Alcohol Stove e Open Flame do Zen Stoves*
  3. Aparador de vento  Modelo WindScreen PotStand do ZenStoves usando raios de bike*
  4. Garrafa pet com álcool
  5. Leiteira
  6. Panela 2,2L
  7. 2 Canecas Inox (500ml cada)
  8. 2 pratos inox
  9. Frigideira antiaderente (panquecas, yay!)
  10. 2 potes BPA free 500ml c/
  11. 1 pote BPA free 1L
  12. Ralador fino e fatiador
  13. Descascador de legumes
  14. Ralador grosso
  15. Balde dobrável 10 L**
  16. Língua de silicone (pré-lavagem de potes e panelas)
  17. Saleiro
  18. Coador de pano/voil***
  19. Adaptador “enche-fácil” para garrafas PET, funciona como funil
  20. Garrafa PET miniatura para azeite de oliva ou óleo
  21. 2 Garfos
  22. 3 facas
  23. 3 colheres
  24. 1 colher de pau
  25. pote de temperos ou sal com tampa intercambiável
  26. vela
  27. palitos de fósforo
  28. Isqueiro
  29. Pederneira
  30. Cabo universal para panelas
Itens fora da foto:
  • Tábua de cortar (usamos a placa de algum dos alforges que é removível);
  • Pastilha de cloro para higienizar saladas, ou um pequeno vidro com tampa conta-gotas com cloro;
  • Canivete: este também está no kit-ferramentas mas é um curinga, pois tem abridor de lata e removedor de rolhas.
  • Pano de prato
  • Esponja
  • Sabão

*Para ter “bocas” extras na sua cozinha, basta comprar uma latinha daquelas pequenas de extrato de tomate e remover a tampa. Por isso que carregamos um tripé dobrável e o aparador de vento, que já é um tipo de tripé para a panela, feito exatamente para o diâmetro dessa panela. No caso de ter vento e precisar usar as duas espiriteiras, pode usar pedras ou o que tiver à mão.

**Balde dobrável adquirimos inicialmente pensando na lavagem de roupa. Mas se revelou mais útil para carregar água e tratar ela com pastilhas de cloro  para 10L quando a origem da mesma for duvidosa. E também útil para lavagem de saladas.

***Coador de Pano/Voil: fácil de fazer em casa, substitui bem uma peneira. Usamos ele para fazer suco verde em casa, mas na viagem será especialmente útil para fazer sucos de frutas sem precisar espremedor ou liquidificador. Usamos assim: colocamos a fruta de nossa preferência dentro dele, puxamos o elástico para fechar, e esprememos com as mãos para remover o suco, que escorre em um pote. Para fazer suco de melancia, não existe utensílio mais eficiente do que este! Suco de laranja, tangerina, bergamota, limão ficam fáceis de fazer, mas é preciso descascar antes.

Agora aquela tradicional foto de todos os equipamentos reunidos pra conferir se não esquecemos de nada. Todos prontos pra ir para o alforge!

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Tutorial: Bolsa para Cestinha de Bicicleta

Tutorial de bolsa para cestinha no blog anAVivianOlá pessoal! Hoje a Ana preparou um post para seu blog de artesanato, mas como o assunto tem a ver com bicicleta e com o espírito “faça-você-mesmo”, imaginamos que possa ser útil também para quem visita o blog Pedarilhos.

Se você é menino e acha que bolsa para cestinha é coisa de menina, ta aí a oportunidade de fazer um presentinho pra namorada, esposa, companheira, e ainda incentivá-la a usar um meio de transporte mais saudável. Assim como usar cestinha não é coisa só de mulher, costura também não, oras! O André já está aprendendo…aprender não ocupa espaço!

Se você é menina e não sabe costurar, deixa de medo! Pegue a máquina de costura emprestada da mãe, da vó, de uma amiga e tente! Não é difícil e pra ajudar está cheio de vídeos na internet para iniciantes.

Esperamos sua visita lá! Basta clicar na imagem acima.



Para-lama de Plástico Grande com R$25


Paralama Frontal

Paralama Frontal

Algumas pessoas me perguntaram como nós fizemos nossos super para-lamas de plástico tamanho GG. Atendendo a pedidos, eheheeh, aqui estamos postando detalhes do projeto! =)


O assunto é de interesse, pois para-lamas como esses de marcas “da gringa” (planet bike, topeak etc), podem passar facilmente de R$100,00. Outro ponto fraco de alguns para-lamas é o sistema de fixação, nem sempre  tão eficientes. (Me recordo de uma vez ter recolhido um para-lamas topeak que caiu no meio da Serra da Graciosa, quem conhece a história deve estar dando risada, hehehehe).

Por conta desses 2 fatores resolvi fazer um para-lama que fosse barato (apenas R$25,00 o par), grande e de fixação firme na bike. Para isso compramos 3 pares de para-lamas de plástico simples  e pequenos desses arredondados (R$10,00 cada par), e transformamos eles em 2 pares de para-lamas grandes (um para min e outro para a Ana).


Foto 2 - Detalhe no tamanho do para-lama traseiro

Foto 2 - Detalhe no tamanho do para-lama traseiro

Basicamente instalei um par de para-lamas na bike e verifiquei quais seriam os tamanhos ideais para eles. Comecei com o paralamas frontal. Ele deveria ser grande o suficiente para me proteger e proteger a corrente da bike de nos sujarmos, mas não tão grande a ponto de raspar no chão e se quebrar (para solucionar o problema de se quebrar fizemos esse para-barro).  Para o para-lama traseiro, um bom tamanho seria um que alongasse até abaixo do tubo inferior do quadro (veja foto 2, para que a sujeira não bata no quadro e espirre por tudo, inclusive na corrente), e para a parte de trás do para-lama traseiro o ideal é que ele se prolongue pelo menos até a linha vertical máxima do pneu, isso vai te proteger da tradicional “bunda molhada” , mas não protegerá  quem está pedalando atrás de você (por isso se você vai pedalar em grupo o ideal é que o para-lama traseiro seja um pouco mais longo, assim seu parceiro de trás não vai sofrer com a “lama no zóio”, eheheh).

Pois bem, sabendo o tamanho dos para-lamas, marquei os locais que precisaria cortar e esquentei uma faca velha no fogão, fiz os cortes no para-lama adicional e depois dei um acabamento com uma lixa.

Após cortados, posicione o pedaço adicional de para-lamas sobre o para-lamas instalado na bike e faça 3 furos (veja foto 3) com o tamanho suficiente para passar uma abraçadeira plástica (tente não fazer os buracos grandes demais, pois quando você pegar uma chuva, a agua pode entrar um pouco pelos buracos e fazer uma sujeira de leve na sua bike/para-lama).


Foto 3 - Detalhe na imenda do para-lama

Foto 4 - Detalhe na abraçadeira plástica na imenda do para-lama

Você vai perceber que por causa do tamanho avantajado dos para-lamas eles vão ficar um pouco molengas, por isso você vai precisar daquelas hastes de para-lamas de barra forte, comprei 2 de inox por R$5,00 cada que foram instalados com abraçadeiras plásticas (veja última foto)

Para dar um “Tchan”, fiz uma fixação extra nos para-lamas usando o mesmo esquema de furo com faca quente e abraçadeira plástica, com isso o para-lamas fica super firme, e com certeza não vai cair da sua bike no meio de uma serra, causando um trágico tapa na bunda do coitado que parar a bike na descida para pegá-lo em dia de intenso tráfego motorizado lento, kkkkkkkk.

Detalhe na fixação extra com abraçadeiras Fixação da haste



Decore sua casa com uma bike velha

Hoje o post é para aquele pessoal que curte reciclagem, decoração de interiores e o bom e velho “faça-você-mesmo”.
Como nós, muitas pessoas não tem desapego suficiente para mandar a velha bike, que não dá mais no couro, pro caminhão da reciclagem. Não precisa nem ser ela inteira, é comum a gente trocar peças, dar aquele “upgrade” na magrela, e sempre sobram partes que nem as bicicletarias querem.

Decidimos então dar um nobre destino às partes de uma bike que reformamos para meu irmão (que até está usando a bike metade-nova dele, aqui). Sobraram rodas, guidão inteiro, pedal, pé-de-vela, corrente…pra falar bem a verdade, as únicas coisas que ficaram na bike foram o quadro e os pedais! hehehehe.

Mural de Roda de Bike

Com as rodas, fizemos um mural de fotos para a sala. Essa idéia nem é original, mas é bem útil e melhor que aqueles murais imantados ou porta-retratos que ficam pegando poeira. No mural de roda você pode trocar as fotos constantemente para não enjoar delas, e tem a vantagem de não ficar precisar tirar pó, lustrar e fazer trocentos furos na parede. Precisará de apenas um furo, uma bucha e um parafuso com ponta em “L” para enganchar no buraquinho que fica o bico da câmara de ar, mas um parafuso comum também serve. Para a roda nós removemos o parafuso e os rolamentos, limpamos bem e usamos palha de aço e sabão para dar brilho ao metal novamente, já que a roda usada fica bem feia, manchada.

Pendurador de Casacos de guidon e porta-tréco de cestinha

 

Com o guidão, fizemos um sofisticado pendurador de casacos (mais usado pra capas de chuva que sempre chegam molhadas) no nosso, mais-sofisticado-ainda, “Mini Hall de entrada” do apêrto. Para finalizar a requintada composição deste micro-ambiente, anexamos uma cestinha de bicicleta (sim, a cestinha que venceu o Desafio Intermodal Florianópolis 2009) abaixo do guidão. A cestinha foi somente pedurada, e não parafusada, assim pode ser facilmente removida quando for solicitada nos passeios. Já o guidon, precisou ser perfurado com furadeira, para depois ser parafusado na parede. Usamos dois furos para que ele não ficasse girando. As fotos abaixo explicam por si. (clique nas miniaturas para ampliar as fotos)

guidonPrimeiro furoSegundo Furo

Parte de baixo do guidonguidon-e-cestinha