Argentina

É incrível como ao passar uma fronteira parece que nada muda e tudo muda, em sentidos diferentes. Para nós na questão alimentação a mudança ao cruzar esta linha imaginária foi imensa. A princípio foi difícil de encontrar vegetais frescos para preparar, só víamos carniceirias um tanto mais bizarras que os açougues daqui do Brasil, e nada de verdurerias. Ficamos apreensivos na primeira semana, pois não estávamos podendo comer muita variedade de alimentos. Mas depois de conhecer a dinâmica das pequenas cidades, fomos descobrindo onde se escondiam hortaliças, frutas e verduras. Geralmente estavam em alguma caixa no fundo de uma gôndola, ou atrás do balcão, era preciso sempre perguntar “Tienen alguna cosa como lechuga o tomate? Papa o acelga? Zanahoria, quizás?”, principalmente nos mercadinhos menores. Mas não era em todas as cidades que conseguíamos encontrá-las. Nestes casos conseguíamos nos virar com produtos industrializados.

Frutas como banana, abacate tinham preços proibitivos. Já maçãs e pêras eram bastante acessíveis em todas as regiões que passamos. Próximo às pronvíncias de Santa Fé, Rosário, Paraná, foi fácil encontrar lindos morangos enormes à venda nas margens das rodovias, com preços excelentes. Consumíamos como alternativa à banana e ao abacate mais pães, aveia, bolachas “pepas”, doces de mebrillo e batata doce, geléias* de frutas típicas (rosa mosqueta, pêssego, damasco, ameixa, framboesa, morango). Longe de ser o ideal, nossa alimentação estava tristemente baseada em farinhas refinadas e açúcar. Para compensar, o preço do feijão era alto, e o preço de lentilhas e grão de bico bem acessível, então acabávamos consumindo mais proteínas.

Cerejas Orgânicas na feira semanal de El Bolsón

Primeira vez que vimos (e comemos) cerejas frescas. El Bolsón, Argentina.

Amendoim, açúcar mascavo, farinha de mandioca sumiram da nossa dieta tão logo cruzamos a fronteira. Bananas eram a doses quase homeopáticas. Mas em algumas cidades maiores descobrimos excelentes lojas de produtos à granel que salvaram nossa vida. Não eram lojas muito fáceis de encontrar, precisávamos sair perguntando pela rua. Lá encontrávamos uma variedade de frutos desidratados produzidos no país com preços muito melhores que os mesmos artigos no Brasil. Nos esbaldamos em figos, damascos, uvas passa, maçãs desidratas, tomates secos, pêssegos… Até descobrimos frutas diferentes como a Alcayota. Dormimos muitas noites debaixo de árvores de cereja, ao lado de arbustos carregados de groselhas, e conhecemos pela primeira vez o sabor de um damasco fresco.

Conforme seguíamos sentido sul, mais distantes ficavam umas cidades das outras, e era preciso carregar alimentos não perecíveis. Futas e verduras menos duráveis carregávamos o suficiente para um ou dois dias no máximo. Mas quando chegávamos na cidade, íamos direto para a Verdureria  mais recheada e enchíamos a cestinha com zapallhitos, arvejas, berenjenas (abobrinhas redondas, ervilhas frescas, beringelas…), tomates e tudo mais que estivesse em oferta! A noite nossa panelinha de camping hospedaria aquele sopão!

Com alguns ingredientes regionais disponíveis nas lojas de granel, nos esbaldamos em algumas gordices. Veja as receitas nos links abaixo:

Figos nevados {Região sul de Mendoza}

Figos cobertos de chocolate com côco ralado

Calda de Damasco {Região Santa Cruz} em breve