Custo Total {2anos|2meses|Viagem de Bicicleta}

Olá galera! Como vão por aí, tudo na paz? Planejando a próxima viagem de ‘cicla’ e não tem muita ideia de quantos dinheiros serão necessários pra essa jornada? Já é sabido que dá pra viajar sem grana, dá pra viajar com pouca grana, e dá pra esbanjar também, depende do seu estilo. Nós gostamos do caminho do meio, então nossa viagem se encaixa mais na definição de “baixo custo”, mas sem passar fome. O que tínhamos dava pra viajar um tempão gastando pouco, ou viajar um pouquinho gastando um montão. Aí pesando tudo isso nós vimos que conseguiríamos viajar um tempinho. Se conseguíssemos viajar com custo zero, aí sim dava pra passar o resto da vida viajando…

Economizando na feira e na lavanderia

Economizando na feira e na lavanderia

Neste post vamos disponibilizar nossas planilhas com as estatísticas finais da viagem. Já publicamos algumas vezes estatísticas parciais aqui e aqui. Agora é a hora de arrematar estes pontos soltos. Assim vocês poderão ver que não é caro nem complicado passar alguns anos viajando, não precisa ser filho de milhonário nem ganhador da mega sena. Pessoas assalariadas, recém formadas como nós também podem realizar um sonho de viagem longa. Claro que pra isso é preciso um pouco de esforço, mas nada tão hercúleo quanto passar 6h ininterruptas com a bunda no selim (algo relativamente corriqueiro numa viagem de bicicleta). Mais tarde listaremos algumas ações de contingência que tomamos com a finalidade de realizar nossa viagem. Todo esforço valeu a pena! Dá uma olhadinha nas nossas planilhas de gastos finais nas imagens abaixo (clique para ver maior).

Custos finais viagem 801 dias

Custos finais viagem 801 dias

Estaística Final Viagem 801 dias

Estaística Final Viagem 801 dias (em %)

Da nossa parte, o gasto diário foi inferior ao que estimávamos (pensamos que gastaríamos cerca de R$20, mas foi menos, ueba!) e aliado ao trabalho virtual que desenvolvemos aqui no blog e na Loja e em projetos pessoais, conseguimos aumentar o tempo que inicialmente pensávamos ser possível permanecer viajando sem estarmos em empregos fixos de 40h/semana . Nossa viagem contou com dois apoiadores de equipamentos, mas a força mesmo veio de centenas de apoiadores desconhecidos, aleatórios e anônimos ao longo do caminho nos recebendo em seus quintais ou nos oferecendo alimento. Não tivemos patrocínios. Veja abaixo alguns dados finais da viagem:

Trabalhando na praça, wifi grátis

Trabalhando na praça, wifi grátis

Custo total por pessoa: ~R$ 15 diários X 801 dias = ~R$12.000,00
Sendo que R$ 4 foi o gasto diário médio por pessoa com hospedagem paga (82% de noites grátis). Então veja que cerca de R$ 9 mil foi nosso gasto com alimentação em dois anos.

Cerca de R$10 por dia com comida, que é também nosso combustível. Nós não costumamos economizar na hora de comprar comida numa viagem deste tipo, sentimos muita fome pedalando o dia inteiro, sem falar que não sentimos culpa alguma em comer bastante quando encontramos onde comprar comida, nem poupamos na hora de esbanjar alguns dinheiros em guloseimas (de vez em quando, e SE encontrá-las!). A única forma de nos fazer racionar comida é quando passamos por áreas desertas onde não teremos onde reabastecer por vários dias seguidos. Mesmo assim o gasto com comida na viagem era muito similar ao gasto quando parados.

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Então se observar o custo total de nossa viagem em casal teria o custo de um carro bem simplão, com a vantagem de não ter custo extra que um carro demanda (gasolina, seguro, estacionamento, depreciação, etc). Além do que aproximadamente 12 mil foi nosso gasto único e total em DOIS ANOS e dois meses de VIDA por pessoa, custo este usado em maior parte só com comida, e comer a gente precisa sempre, viajando ou não. Os outros R$4 foram custo médio por dia com hospedagem, algo muito próximo do que gastávamos antes em casa só com a taxa de condomínio.

A título de comparação, já pensou passar dois anos trabalhando só pra comprar um carro usado?! (E depois ainda passar alguns bons meses dos anos seguintes só trabalhando pra manter sua despesa de uso…) Eu já cheguei a pensar, fiz meus cáculos e descobri que não vale a pena! Não trocaria estes dois anos de viagem livre pela América do Sul por bem material nenhum! Principalmente porque esta experiência de vida ninguém nos rouba e nunca deprecia! É algo que não pode ser vendido, trocado ou substituido, é uma experiência única, individual, íntima, um tesouro pessoal que não tem como ser calculado, é valiosíssimo mas não precisa ser guardado dentro de um baú com correntes e cadeados. Não precisa senha em banco nem guardar em cofre, só precisa estar no coração e nas boas lembranças.

Grande animação dos amigos da Casa de Ciclistas Amistad, em Trujillo, Peru

Grande animação dos amigos da Casa de Ciclistas Amistad, em Trujillo, Peru

Ah, lembra da taxa do condomínio? Nós trocamos ela por um quintal diferente a cada dia, mas é preciso se habituar a morar numa barraca, conseguir ficar uns dias sem tomar banho e eventualmente dormir na casa de desconhecidos cheios de solidariedade que vão te acolher, te convidar pra ficar e muitas vezes até te chamar pra refeições com a família. Sabe que há uma riqueza maior ainda que uma viagem desta nos rende: centenas de novas amizades pelo mundo.

Ninguém nos roubará as boas lembranças das experiências vividas.

Ninguém nos roubará as boas lembranças das experiências vividas nestes dois anos.

Neste custo não consideramos o valor que investimos em equipamento de viagem. Saiba porque:

  • Ainda temos muitos dos equipamentos em ótimo estado para no mínimo mais uns 3 anos de viagem;
  • Podemos vender alguns equipamentos usados que não forem mais úteis para nós e recuperar parte do investimento;
  • Equipamentos eletrônicos como câmera e computador seguem funcionando e já se pagaram através do trabalho que realizamos neles.
  • Não tivemos nenhuma avaria com a bicicleta ou qualquer outro equipamento e seguimos utilizando as mesmas bikes e componentes em nossos deslocamentos diários. Também não sofremos extravios ou furtos ao longo da viagem.

 

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Abraços,
Ana e André

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  • Alessandra Monteiro

    Parabéns!!! Muitos parabéns para vocês! Eu admiro muito pessoas com esse desprendimento e que vive em busca e vive para o que realmente lhes faz bem.

  • Amigos,

    12.000 em dois anos e dois meses é um custo extremamente baixo.

    Parabéns, vai dar muitas palestras sobre economia e programação de gastos em viagens.

  • Carlos Alberto

    Parabens pelo belo exemplo de vida, são essas histórias que fazem tanta falta aos nossos jovens de hoje. Cada trecho de suas narrativas são um rico aprendizado. ” O desafio é sempre o limite” e eu me sinto muito feliz em poder escrever para vcs. Que Deus continue iluminando seus caminhos sempre, e eu daqui vou acompanha-los enquanto puder .

  • Valeu o comentário pessoal!!!
    A idéia em escrever esses posts é justamente empolgar mais pessoas pra viajar de bike…. para que elas saibam que é possível viajar gastando pouco…
    Valeu!!

  • André e Ana, muito obrigado.

    Muito pouco mesmo! Isso prova que, a não ser que seja uma pessoa realmente pobre que não consiga nem investir nos equipamentos e no pontapé inicial da viagem, o dinheiro não é desculpa pra ninguém deixar de viajar. Talvez a pessoa não goste mesmo da vida de acampamento (o que é totalmente aceitável e respeitável – embora seja mais fácil do que a maioria imagina – não é pra todo mundo mesmo). Nós temos vínculos com família, estudos, projetos pessoais, etc., e é preciso ler esse texto, fazer as contas e entender que o que realmente nos segura e nos impede de partir: não é o dinheiro. Quem quer realmente viajar por um longo período precisa entender isso, parar de se apoiar nessa desculpa e encarar de frente as demais questões, não há outra maneira.

    Muito obrigado.

    Valeu!

  • Paulo Segges

    Ana e André. Resumindo: FANTÁSTICO!
    Tenho muitas perguntas, mas, por enquanto faço apenas uma:
    Como vocês lidavam com animais hostis (cães, bovinos ou mesmos animais selvagens) quando se deparavam com um?
    Nunca realizei una cicloviagem, mas, costumo pedalar por trilhas e estradas de sítios cujos donos não prendem seus animais que partem para o ataque quando alguém passa pela propriedade. Já fui atacado várias vezes.

    • Fala Paulo,
      muito obrigado pela sua mensagem!! Valeu!

      Olha, procurávamos ficar tranquilo em relação aos cachorros enquanto pedalávamos. Acho que o principal é não deixar que eles te peguem de surpresa. Sempre que os cachorros chegaram perto para atacar, já estávamos com garrafa de água em maõs e apenas meia duzia de pingos de água é o suficiente para espantá-los, rs… Em lugares onde não tinha muita água, tínhamos uma bolsinha com algumas pedras para jogar em caso de necessidade.

      Durante acampamentos, não ficamos onde tem bovinos, é um pre requisito na escolha do local.

      Quanto a animais selvagens, acho que os únicos que incomodam são os pequenos atrás de nossa comida. Por isso sempre dormimos com as louças lavadas e os alimentos bem embalados dentro da barraca. Encontramos diversas aranhas e escorpiões próximos ou até mesmo dentro do avance da barraca ao acordarmos, então o lance aqui é ter bastante atenção com as coisas que ficaram pra fora da barraca como calçados e bolsas.

      Animais costumavam nos incomodar mais durante as noites na barraca, seja latindo, urinando na barraca ou até mesmo escalando a barraca (gatos), ou ainda comendo os alimentos que deixávamos pra fora….

      No Chile eu fui mordido por um cachorro, mas eu estava a pé pedindo água em uma propriedade… Cuidei apenas dos cachorros maiores enquanto um menor veio pelas minhas costas e mordeu, rs…

      Abraçoss
      André

      • Paulo Segges

        Hoje eu pedalo com um equipamento chamado Dazer II. É um aparelho que emite um som só perceptível pelos cães. FUNCIONA. Quanto aos cães, eu fico tranquilo. Já aconteceu de depois de uma curva, me deparei comum touro enorme solto. Atravessei uma cerca de arame farpado com bicicleta e tudo. Não me pergunte como consegui.
        Já fui até Ushuaia de moto e me disseram que tive sorte de não precisar acampar no deserto da Patagônia. Os Pumas iriam me visitar. Valeu pela atenção. Forte abraço

  • Dorgivan Santos.

    Como sempre uma bela e grande viagem ler o blog de vocês. Aprendi muito com vocês, Não estou 100¢ mas deixei de ser aquele ser que pensava que dinheiro era tudo… OBRIGADO!!

    • Valeu pela mensagem Dorgivan!!!
      Muito massa te ver comentando por aqui!!! Aprendemos muito com você e sua família também!!!

      Abraços
      André e Ana

  • Cauã

    Realizei a 2 anos o sonho de criança de ir da capital gaúcha ao litoral, agora com 22 e utilizando a bike como principal meio de transporte, já penso em ir ao Chile. As economias que a bicicleta nos fornece é realmente ótima, sem contar que nos proporciona admirar as viagens (paisagens) como qualquer meio de transporte motorizado seria incapaz. Admiro e estou sempre a espera por novas histórias e posts de vocês.
    Abraço Cauã Cauduro

    • Olá Cauã, opa, muito obrigado da mensagem!!! Você tem toda razão sobre o que disse da bike, é bem isso mesmo.!!! Valeu, Abraço!
      André e Ana

  • JS

    Muito interessante. O vosso blog é ótimo. O conteúdo está bem explícito e cativante, parabéns!

    Há uns dias atrás deparei-me com um artigo nos ‘Nômades Digitais’ sobre um jovem (também brasileiro) que fez uma viagem de bicicleta pela Europa, e fiquei imediatamente curioso em saber mais sobre esse tipo de viagem. Após um pouco de pesquisa, cheguei à conclusão neste tipo de viagem o contacto com a natureza é muito mais intenso (eu adoro a natureza), e temos a oportunidade de absorver muito mais e melhor da viagem e das experiências que a mesma nos proporciona. Também quero entrar nessa, e fazer uma viagem de bicicleta a pela Europa (vivo em Portugal). 1º Passo: comprar uma bicicleta.

    Um abraço de Portugal!

    • Andre Costa

      Valeu JS!! Abraço

  • Leonardo Dias

    Vou começar minha viagem de bicicleta pela América do sul em 2016, e minha dúvida é, como faziam com o dinheiro, cambiavam para a moeda do país que visitavam? Ou levavam dólares? Quanto levavam em dinheiro vivo?

    • Andre Costa

      Fala Leonardo, na paz?
      Valeu pela pergunta, logo vamos escrever um artigo sobre esse assunto.

      Então, nós sempre sacamos dinheiro conforme precisamos. Algumas dicas para sacar com mais tranquilidade são as seguintes:

      -Esse item não fizemos mas sentimos falta: Em qualquer banco que você tenha acesso via internet, solicitar um cartão visa travelmoney. Ele é o que tem de mais seguro e barato que tem para viajar. Você adiciona dinheiro conforme necessita.

      -O que fizemos e nos salvou diversas vezes: Pedir com algum familiar ou amigo muito próximo que ele/ela solicite um cartão de crédito extra da conta dele porém este cartão tendo você como titular. Então é a conta dessa pessoa, porém o cartão extra está no seu nome. O que isso ajuda? Qualquer problema que você tenha de bloqueio neste cartão, essa pessoa no brasil poderá resolver facilmente sem burocracia pois a conta é desta pessoa.

      -Outra coisa importante, se puder, é ter um cartão Visa e outro Cirrus(Master), é isso que faz diferença, já que alguns caixas eletrônicos só aceitam Cirrus e outros só aceitam Visa, mas normalmente os que aceitam visa também aceitam cirrus. Em cidades muito pequenas só conseguimos sacar com Cirrus.

      -Mais sobre o assunto, é deixar uma procuração para uma pessoa de confiança, já que ela poderá resolver qualquer problema que eventualmente possa aparecer por aqui no Brasil, seja relacionado a conta bancária/cartão ou relacionado a qualquer outro assunto.

      Vamos nos falando!
      Abraço

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