Preparação para a Travessia Transmantiqueira

Na serra fina, durante a travessia da transmantiqueira.Nos próximos dias iremos postar os relatos sobre a nossa travessia da Transmantiqueira, totalmente a pé e sem apoio. Este artigo é sobre a preparação que fizemos para chegar até lá.

Desde que nos conhecemos nós fazemos trilhas a pé, foi com essa “droga leve” que começamos. Depois vieram as viagens de bicicleta curtas, depois uma viagem de bicicleta longa que nos colocou em contato com ciclistas que também realizavam grandes travessias a pé e nos encorajaram a realizar uma juntos, que foram os 9 dias de Trekking na Cordilheira Branca no Peru, no circuito conhecido por Quebrada los Cedros y Alpamayo.

Depois realizamos por conta própria uma caminhada de 6 dias pela Chapada Diamantina, algo como um teste. Foi aí que as “drogas pesadas” começaram pra nós, brincamos. Então ao retornar pra casa após os dois anos de viagem, já começamos a elaborar planos de travessias a pé ou combinadas com bike pelo Brasil, a fim de conhecer mais nosso próprio país e suas montanhas.

Em 2015 tiramos um mês de folga e realizamos duas pequenas travessias no Paraná, e agora seria a vez da Mantiqueira. A próxima ainda não está definida, mas nota-se a tendência a ir pra “dorgas” cada vez mais pesadas mesmo, aumentando o tempo de travessia e o grau de desafio.

Trajeto Transmantiqueira

Mapas que imprimimos para fazer a travessia da Transmantiqueira.

1ª travessia: Marins – Itaguaré
2ª travessia: Serra Fina
3ª travessia: Ruy Braga Parque Nacional Itatiaia

Realizadas entre 10 e 24 de maio de 2016

Confesso que deixamos a pesquisa mais minuciosa para uma semana antes de iniciar a trilha. É claro que já tínhamos uma noção básica dos primeiros relatos que lemos e nos despertaram interesse para a região a alguns anos, falando basicamente que a travessia era difícil, poucos pontos de água e portanto, muito peso dela na mochila, e poucos pontos de abastecimento de comida entre travessias. Tudo isso se confirmou verdade.

Também sabíamos que os transportes para chegar e sair das trilhas (chamam de resgates) seriam caros casso optássemos por ir sozinhos, então já desde o início cogitamos percorrê-la toda a pé, sem depender de veículos nas junções das 3 travessias, assim como já havíamos feito com sucesso na Chapada Diamantina.

Uma semana antes de pegar o ônibus pra São Paulo, pesquisamos diversos relatos, convertemos páginas de blogs para o formato legível em ebook e enviamos para o Kindle e os aparelhos celular. Também imprimimos em boa qualidade de papel os 3 mapas disponíveis no Portal Extremos e nele marcamos os principais pontos de água e acampamentos, e no verso outras informações adicionais.

Instalamos 3 aplicativos GPS nos aparelhos celular, neles instalamos os mesmos tracklogs, aliás, todos tracklogs mais completos que encontramos disponíveis na internet sobre a região.

Aplicativo p/ IOS: GPS Hiker e Wikiloc (sendo que o GPS Hiker foi o mais usado).

Aplicativo p/ Android: Locus Free (não chegamos a utilizar este aparelho nesta travessia pois o primeiro aparelho tem antena mais rápida na localização e foi preciso só + 1 recarga da bateria externa, porém esse app já foi usada por vários dias nas Trilhas do Pico Paraná e Ciririca).

Um adendo sobre os tracklogs: alguns arquivos da transmantiqueira apresentaram pequenos erros, como indicação de ponto de acampamento que não existia mais, ou posição errada, ex: dois arquivos com informação incorreta da toca do lobo e primeiro acampamento da serra fina, etc. Então melhor instalar e conferir vários tracklogs e se possível gravar o seu próprio ao longo do caminho. Felizmente, em trecho de trilha, não observamos nenhum traçado fora do local onde caminhamos.

Nós não gravamos nosso tracklog pois o gasto da bateria é grande e não temos aparelho específico só de GPS que viabilize isso. No entanto o gps instalado no smartphone apenas para conferência de bifurcações, pontos de dúvida, pontos de água e acampamento é mais do que suficiente tendo um aparelho e uma bateria externa com pelo menos capacidade para duas cargas a 100%. Ainda utilizamos o mesmo aparelho para fotografar e consultar internet, previsão do tempo, enviar notícias pra família quando havia sinal e consultar relatos.

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Observação sobre os mapas: com o nevoeiro que pegamos, só sendo muito Jedi pra se localizar pelas curvas de nível de um mapa impresso, mesmo com bússola, não havia referência visual. A visibilidade foi péssima em 80% do tempo que passamos na travessia. Esteja preparado com qualquer tipo de navegação por GPS.

Equipamento

Cozinhando dentro da barraca na travessia da Transmantiqueira.Basicamente, os materiais necessários para travessias de trekking são muito similares aos do cicloturismo autônomo. Você precisa de uma barraca, porém de preferência mais leve, compacta e mais resistente a ventos. Fogareiro e kit cozinha, seguindo a mesma tendência, mais compacto e minimalista que o da bike. Roupas de frio e saco de dormir condizentes com a região a que se propõe percorrer. E o único equipamento divergente talvez, ao invés de alforges, mochila cargueira e bastão de caminhada.

Ao final do post, listamos os itens que levamos e seu peso.

Alimentação

Comida para a Transmantiqueira: E agora carregar toda essa bagaça nas costas?!

Comida para a Transmantiqueira: E agora carregar toda essa bagaça nas costas?!

Nossa preparação alimentícia para esta travessia começou cerca de um ano antes. Começamos plantando alguns dos alimentos que gostaríamos de levar pra trilha desidratados. Começamos a desidratar ao sol e fogão à lenha tomates, bananas, berinjelas no verão anterior, e no outono abóboras e batata doce, além dos amendoins tostados e do preparo da farinha de mandioca, tudo orgânico.

Optamos por cozinhar para jantar o arroz branco mesmo, com alguma mistura que fornecesse proteínas e fibras. Escolhemos feijão liofilizado, os vegetais desidratados e cogumelos secos. Para cada noite nós calculamos 330g de arroz + misturas (se feijão 75g, se vegetais ou cogumelos 50g, e algumas ocasiões os dois), temperado com alho, sal, orégano, pimenta e mucho azeite de oliva.

Para café da manhã preparamos o “mix transmantiqueira”, composto de farinha de mandioca caseira + mix de frutas desidratadas, adoçado com açúcar mascavo e com um pouco mais de proteína através do extrato de soja ou leite de soja em pó.

Logística dos Alimentos

Nas travessias da transmantiqueira, diferente de todas as outras que já estivemos, é preciso carregar muita água, precisamente água para no mínimo uma noite de acampamento mais algumas horas da manhã seguinte, e no máximo para um dia inteiro com uma noite de acampamento e mais o dia inteiro seguinte.

Então consideramos levar o máximo de comida desidratada e leve, principalmente a partir do segundo dia, pois a hidratação do alimento seria feito a cada noite, o que torna os dias finais de travessia mais leves. Porém para o primeiro e segundo dia não faria mal levar alimento mais líquido, como um molho de tomate ou algum vegetal in natura, como cenoura, por exemplo.

Por experiência própria nosso ideal é que a alimentação durante este tipo de travessia não seja algo muito distante do que costumamos comer no dia-a-dia em casa, pois cada mudança brusca de hábitos gera uma mudança no funcionamento do organismo, principalmente intestino e sistema imunológico.

Então tentamos ao máximo levar versões leves da nossa comida do dia-a-dia, porém com um pouco mais de gorduras (azeite de oliva, amendoim) e sabor (alho, batata palha, orégano) para estimular comermos um pouco a mais do que teríamos vontade e não perder tanto peso.

Na foto anterior dá pra ver TODA a comida que preparamos para a travessia inteira. No entanto não carregamos toda ela desde o primeiro dia, o que fizemos foi o seguinte:

  • Separamos porções diárias de acordo com experiência prévia em outras travessias, tendo em conta que a fome aumenta mais a cada dia de pernada.
  • Separamos as porções por travessia agrupando-as, considerando porções menores para a 1ª travessia, por estarmos ainda destreinados, levaríamos menos peso, deixando as porções maiores para a 2ª e 3ª travessias, onde calculamos que já teríamos mais fome e um pouco mais de condicionamento, apesar de mais desgastados também.
  • Levamos de casa a comida pra 1ª travessia e despachamos uma caixa com 9kg de comida da 2ª e 3ª travessias para o bairro Pinheirinho em Passa Quatro. Quem recebeu por nós foi o Anderson, do mercadinho do bairro. Lá compramos alguns outros alimentos extra, que chamamos de gordurices, como batata palha, goiabada, café solúvel e mais algumas comidas bem calóricas pra comer ali mesmo.
  • Chegando em Pinheirinho reorganizamos a mochila para Serra Fina e Ruy Braga com cerca de 4kg de comida com a Ana e 5kg com André. Esta seria parte majoritária de nossa alimentação até chegar na cidade de Itatiaia.
  • Parte da comida para a 3ª travessia compraríamos nas vendinhas da Garganta do Registro. Lá conseguimos: arroz branco e pães pra levar, e pamonha, pinhão cozido e suco que comemos no local. (lembrando que o arroz e os pães conseguimos pedindo pra que nos vendessem, não é um produto disponível na prateleira, é de uso interno deles e que gentilmente nos cederam, levamos uma balança digital portátil em que pesamos o alimento e pagamos a eles)

Há uma venda no bairro Sertão dos Martins, a uns 3 ou 4km do campinho onde termina a travessia Marins x Itaguaré no caminho para Pinheirinho, Passa Quatro, mas não chegamos a ir ao local verificar o que havia. Nos disseram que poderia ter algum alimento enlatado e refrigerantes.

Alimentos que encontra no mercadinho de Pinheirinho

Industrializados básicos. Você pode ligar no Mercado do Lourencinho e falar com Anderson, tem o telefone do comércio na foto do local no google street view.

Se você não encontrar o que procura lá, tem um ônibus circular que passa no bairro e vai a Passa Quatro. Você pode pedir pra deixar a mochila ali no mercadinho, são pessoas extremamente confiáveis e de boa vontade.

Alimentos que encontra na Garganta do Registro

Para cozinhar: mix de lentilhas, arroz integral e selvagem
Comida rápida: bolachinhas, balas, paçoca de pilão, queijos e embutidos locais, farinha de mandioca, pimentas em conserva, pamonha, milho cozido, pinhão cozido, misto quente (não veg), café, balinhas, etc…

Combustível

Para as duas semanas que passamos caminhando levamos dois refis de fogareiro a Gás, uma delas enviada na caixa das comidas que pegamos no caminho. Tivemos um gasto de 40g de combustível por dia sem muito esbanjamento. Usamos para aquecer 500ml de água para café da manhã, cozinhar o jantar, e apenas dois dias fizemos purê de batatas, que é super rápido e econômico em gasto de combustível.

Se você curte cozinhar gourmet e fazer muito chá pra se esquentar e reidratar a noite, considere levar mais combustível, ou mesmo um fogareiro multicombustível ou álcool que possa comprar refil entre travessias. Em Passa Quatro é possível encontrar refil para fogareiro a gás, mas não em Pinheirinho.

Pesos

Mochila Ana

Mochila para a Transmantiqueira: com comida só para mais um dia e sem água.

Mochila para a Transmantiqueira: com comida só para mais um dia e sem água.

Peso total sem comida: ~8kg
Peso Total primeira travessia : 12,3 kg
Peso total segunda e terceira travessia: 14,5 kg

Mochila Alto Estilo Verglass 55L: 1,3 kg (tiramos as varetas internas de metal)
✓       Calça hard mountain: 430g [no corpo]
✓       Calça Solo segunda pele x-power: 225g
✓       Camisa Solo segunda pele x-power: 185g
✓       Camiseta hard manga curta: 60g
✓       Camiseta hard manga longa: 110g
✓       Camiseta respirável feita em casa manga longa: 180g [no corpo]
✓       Lanterna de cabeça Fenix : 90g
✓       Saco de dormir Deuter Neosphere -4ºC: 980g
✓       3 calcinhas: 55g
✓       Meia cinza: 55g
✓       Meia escura: 25g
✓       Meia Solo insulation: 65g
✓       Corta vento Bike Shelter Conquista: 85g
✓       Toalha de camping:  85g
✓       Kit higiene pessoal (mini-sabonete, mini-sabão de côco, bicarbonato de sódio, escova e pasta dental, coletor menstrual): 125g
✓       2 Eco Head: 75 (30+45)
✓       Toalhinha de mão: 30g
✓       Talco para calçados: 120g
✓       Anoraque Conquista sem o forro (sim, cortamos o forro): 630g
✓       Calça impermeável Conquista sem o forro: 325g
✓       Kit 1ºs socorros: 145g
✓       Gorro: 50g
✓       Fleece Conquista: 420g
✓       Luvas solo x-power: 35g
✓       Luvas genéricas de jardinagem de R$4: 40g
✓       Kindle (com diversos relatos convertidos de html para epub): 260g
✓       Gás cheio: 370g (na próxima caixa)
✓       Isolante térmico Z lite: 475g
✓       Poncho sea to summit: 335g
✓       Bastões de trekking guepardo par: 610g [nas mãos]
✓       Polainas anti-cobra Alpamayo: 680g [no corpo]
✓      Comida 3 a 4 dias para primeira travessia: ~ 3400g
✓       Boné genérico: 55g
✓       2 Óculos +estojo (Ana e André): 95g
✓       Apitos e canivete: 45g
✓       Câmera e bateria extra celular etc: 1kg
✓      Kit costura de emergência (agulhas, pedaços de cordura e tela, linha de costura fina e grossa): 20g
✓      Botas La Esportiva: 1kg cada pé [no corpo]
✓     Crocs: 130g par
✓     Sacola e saco de água capacidade até 6L: ~70g {link como fazer}
✓     Garrafa pet 500ml para água potável
+ Miudezas esquecidas não listadas

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Mochila André

Mochila Transmantiqueira: na foto já vazia com comida para só mais um dia e sem água.

Mochila Transmantiqueira: na foto já vazia com comida para só mais um dia e sem água.

Peso total sem comida: ~9kg
Peso total primeira travessia: 14kg
Peso total segunda e terceira travessia: 17kg

Mochila Alto Estilo Itupava 70L: 1,5 kg (tiramos as varetas internas de metal)
Kit cozinha: ~1500g
◦       Panela e estojo : 310g
◦       Fogareiro e isqueiro: 100g
◦       2 Talheres colher-garfo-faca de titânio China: 45g
◦       Chacatreka (pegador universal de panela): 45g
◦       2 Cumbucas de plástico com tampa: 20g
◦       Temperos: 85g
◦       Sal para 4 dias: ~100g
◦       Manteiga de amendoim para 4 dias: 135g
◦       Gás: 370g
◦       Azeite oliva: 260g

Uso pessoal

◦       Crocs: 150g par
◦       Polaina: 680g [no corpo]
◦       Botas La Esportiva: 2kg par [no corpo]
◦       Isolante térmico z-lite: 450g
◦       Abrigo de chuva poncho sea to summit: 350g
◦       Luvas genéricas de jardinagem de R$4: 40g
◦      Corta vento Bike Shelter Conquista: 90g

Total saco estanque com Roupas, eletrônicos e saco de dormir: 2750g
◦       Segunda pele camisa e calça solo X-thermo
◦       Camiseta Hard nanotec manga curta: 65g
◦       Jaqueta pluma 620g
◦       2 Cuecas: 100g
◦       3 Meias: 150g
◦       Meia Solo insulation: 75g
◦       Calça Hard Pro Mountain [no corpo]
◦       Camisa manga longa dry genérica [no corpo]
◦       Chapéu de pano
◦       Bateria extra, celular e cabos: ~300g
◦       Saco de dormir Deuter Trek Lite +3 e linner seda genérico encontrado numa trilha: 950g

Uso comum:
◦       Barraca Tunel Robens Tents Osprey II 4 estções (não auto portante): 2500g
◦       Pá de jardim de plástico (banheiro portátil): 55g
◦       Garrafa Pet 500ml para higiene pessoal
◦       Esterilizador de água com pilhas Esteripen: 225g
◦       Sacola e saco de água capacidade até 6L: ~70g {link como fazer}
◦       Garrafa Pet 1 L para água potável
+ Miudezas esquecidas não listadas

Comida

Arroz com Abóbora desidratada, alho e azeite. Ficou divino! Nosso prato preferido na travessia da Transmantiqueira.

Arroz com Abóbora desidratada, alho e azeite. Ficou divino! Nosso prato preferido na travessia da Transmantiqueira.

  • Alho: 200g
  • Banana passa do sítio: 2,300kg
  • Mandioca deusa: 300g
  • Far mandioca sítio: 1415 g
  • Purê de batata: 560g
  • Batata palha: 120g
  • Feijao liofilizado: 750g
  • Cacau: 285g
  • Uva passa: 490g
  • Uva branca + nozes: 150g
  • Chips batata doce do sítio: 140g
  • Berinjela seca do sítio: 45g
  • Cogumelos secos: 115g
  • Tomate seco do sítio: 335g
  • Amendoim torrado do sítio: 1450g
  • Chocolate amargo: 970g
  • Abóbora seca do sítio: 225g
  • Damasco seco: 150g
  • Molho de tomate para primeiro dia: 130g
  • Granola: 265g
  • Leite de soja em pó: 200g
  • Rapadura (que levamos pra passear): 265g
  • Café solúvel: 100g
  • Açúcar mascavo: 1kg
  • Manteiga de amendoim: 1kg
  • Algas Nori: 23g
  • Coco ralado: 570g
Aparência bizarra do nosso mix matinal na transmantiqueira, mas garanto que é gostoso e muito nutritivo.

Aparência bizarra do nosso mix matinal na transmantiqueira, mas garanto que é gostoso e muito nutritivo.

Pacotes café da manhã: ~350 a 380g por pacote x 12 unidades + 1 pct de granola peq. [1 pct por dia para duas pessoas]
(“Mix transmantiqueira”: farinha de mandioca do sítio, coco ralado, leite de soja, cacau em pó, damasco seco, uva passa branca e preta, amendoim cavalo e banana passa do sítio, açúcar mascavo. )

Cafés da Manhã
4 pacotes mix transmantiqueira + 1 pct granola para Marins x Itaguaré (2 dias de estrada + 3 de travessia)
8 pacotes mix transmantiqueira + pães comprados na garganta do registro para Serra Fina + Ruy Braga Itatiaia

Lanchinhos
Banana passa, chips de batata doce, amendoim tostado com e sem sal, gotas de chocolate amargo

Almoços ocasionais*
*em caso de calhar um almoço perto da água ou com tempo: Purê de batatas com tomate seco

Jantares
330g de arroz com 75g de feijão liofilizado e/ou misturas de vegetais desidratados

Necessidade de água para cozimento do jantar para nós na transmantiqueira: aproximadamente 1L para arroz + 300ml para feijão.

Gasto médio diário de água em valores aproximados

Em um dos acampamentos durante a transmantiqueira: Coletando água de chuva

Em um dos acampamentos durante a transmantiqueira coletando água de chuva no acampamento Maracanã, cerca de 6 L em menos de 30 minutos.

  • 1,5 L cozinhar jantar*
  • 0,8 L se cozinhar purê de almoço*
  • 1L higiêne pessoal + lavar a louça** (poderia ser com água não potável)
  • 1,5L por pessoa para beber por dia

Para ter uma margem de segurança, carregamos 4 litros por dia por pessoa e sempre sobrou cerca de 1 L ao chegar ao próximo ponto de água.

*Valores para duas pessoas por dia
**Ao lavar a louça não utilizamos sabão e bebemos o resíduo aquoso nojento sim, tudo pelo bem da correta hidratação do corpo e por não deixar rastros, ou seja, não deixar restinhos de comida que fazem aumentar a população e mudar os hábitos alimentares de ratos, aves e outros animais!

Gastos

Total Geral para duas pessoas: ~R$ 1000,00

Com Alimentação: R$ 228,5

  • Comida desidratada do sítio: R$ 0
  • Cogumelo desidratado: R$12 (2 pacotes 50g )
  • Feijão Liofilizado: R$ 50 (10 pacotes de 75g)
  • Pré-Trilha: R$ 60 (arroz, diversos…)
  • Pinheirinho: R$35 (arroz, diversos…)
  • Garganta do Registro lanches+arroz e pão: R$28,50
  • Chegada Itatiaia Janta + lanche viagem: R$43

Com transporte: R$ 674,00

Ida

  • Ônibus SC-SP: R$ 220,00/2
  • Ticket Metrô SP R$ 7,60 /2
  • ônibus Sp-Lorena: R$97,80 /2
  • ônibus Lorena-Piquete: R$9,50 /2

Volta

  • ônibus Itatiaia-SP: R$120/2
  • ônibus SP-SC: R$ 220/2

Entrada do Parque Itatiaia: R$ 48

Incluídos duas noites de acampamento e duas diárias no parque, sendo que a primeira mais cara por ser domingo (R$ 15 entrada domingo x 2 = 30 e R$ 6 x 2 acampamento organizado R$ 1,5 x 4 diárias dias úteis) Não cobram acampamento selvagem.

Com hospedagem: R$ 60

2 pessoas 1 noite em na cidade de Itatiaia.

É isso então, pessoal! Este foi o primeiro post de uma série de 4 artigos que preparamos sobre nossa travessia da Transmantiqueira. E nos próximos 3 seguem os relatos das 3 Travessias que interligamos a pé.

1º Travessia Marins e Itaguaré: de Piquete até Pinheirinho, Passa Quatro
2 Travessia da Serra Fina: de Pinheirinho até Garganta do Registro
3ª Travessia Ruy Braga: de Garganta do registro até Itatiaia

Espero que goste dos relatos e que seja útil na sua preparação para esta travessia. Se quiser pode deixar suas dúvidas e sugestões nos comentários abaixo ou se preferir em privado através do link de contato.

Inté!

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Ana Vivian

Aprendeu ler, pedalar e viajar na infância. Através das palavras, dos pés ou da bicicleta sonha conhecer o que ainda não viu. Saiba mais ->

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  • Carlos Robert

    Nossa, muito bom!!! Mas esmiuçado que isso, impossível. Tenho um grande sonho de fazer uma longa caminhada de vários e vários dias e sem muito rumo, mas o cotidiano atarefado tem me impedido. Leio e vejo vídeos de quase tudo sobre estas aventuras e cada vez mais alimento esse meu sonho. Quem sabe um dia…
    Parabéns aos dois, planejamento e administração de recursos é tudo no que nós nos dispomos a fazer.

    • Andre Costa

      Legal Carlos Robert, valeu pela mensagem. É, essa é a nossa característica de artigos normalmente. Espero que essa série (Serão mais 3 artigos) te inspire a sair por aí caminhando ou pedalando! =). Abraços!!

  • Alexandre S Bittar

    Realmente o seu relato e informações foram bem precisos. Eu acho impressionante que aqui no Brasil, com tanta beleza natural e pontos de interesse, não tenhamos informações suficientes para trilhas longas. Imagino que esta pegada de trilha + acampamento não faça parte de nossa cultura como o é nos EUA. Bem, li o seu relato e fiquei com algumas dúvidas: 1- existe algum tipo de sinalização nesta trilha ou apenas um caminho batido? 2- como vocês recarregavam um dispositivo como gps na natureza? 3- os pontos de água são bem definidos? 4- As cidades que você mencionou como pontos de apoio e reabastecimento estão longe da trilha? Olha, fiz uma trilha na Califórnia (John Muir Trail – 340km – 14 dias) onde o tipo de logística é similar, porém por lá você encontra outras pessoas na trilha, tornando assim a aventura mais segura, o que penso que não seja o caso aqui. Sendo assim, a preparação deve mesmo ser muito cuidadosa. Obrigado por seu tempo.

    • Ana Vivian

      Olá Alexandre obrigado pelo seu comentário. Realmente no Brasil a gente sabe de poucas travessias longas de trilhas com acampamento mas essa questão cultural cabe a nós ir mudando aos poucos, divulgando e praticando. Sobre suas dúvidas a primeira, não não existe sinalização na travessia Transmantiqueira, o que existe de sinalização foi só no trecho da última parte da travessia Rui Braga que foi dentro do Parque Nacional do Itatiaia e é uma sinalização do próprio parque. Sobre a segunda pergunta a gente utilizou GPS do smartphone com mapas já baixadas off-line, então nós recarregávamos com um powerbank, carregadores externos, E quando passávamos por alguma cidade ou alguma casa próximo ao local onde a gente iria pernoitar acampando nós pedimos uma ajuda pra recarregar esses dispositivos, então por exemplo em passa quatro a gente passou comprar mantimentos no mercadinho e pediu pra recarregar o celular e as baterias ali enquanto a gente comprava e fazia um lanche e um descanso. Sobre os pontos de água eles não são bem definidos em toda a trilha alguns lugares é fácil encontrar outros não foi tão fácil e por isso foi importante ter o mapa GPS baixado com esses pontos marcados. As cidades e pontos de apoio que mencionamos não que fique longe da trilha, mas não há só caminho por trilha então é preciso passar por essas cidades e é preciso caminhar alguns trechos por estradas de terra, ou seja você não vai ter que sair da trilha pra ir até a cidade se reabastece mas passar pela cidade já é o caminho para chegar a próxima trilha que compõem a travessia. Sobre encontrar pessoas na trilha gente encontra sim. Principalmente durante o inverno, que é a temporada de montanha no Brasil, se for em feriados mesmo esses trechos de trilhas são lotados ficando até difícil encontrar lugar para sua barraca nos pontos mais disputados de acampamento, e geralmente mais numerosos são grupos que fazem os pequenos trechos e não a travessia completa. Abraços e valeu por somar a este conteúdo com suas dúvidas e comentários, espero que tenha lhe ajudado com as respostas. E se for pra esta travessia ficaremos felizes em ajudar com alguma informação que esteja faltando, fique a vontade pra entrar em contato.

      • Alexandre S Bittar

        Olá, Ana Vivian. Muito obrigado por sua atenção. Olha, pelo que você está dizendo, realmente parece difícil completar a trilha sem o apoio de um GPS com mapas baixados. Pra ser bem sincero, gostaria de ver se existem pessoas interessadas em formar um grupo, pois as únicas opções que encontrei até agora envolvem pagamento de um guia para prover acompanhamento e apoio e, definitivamente, não é minha intenção ser guiado a troco de $$. Se você souber de algum canal que seja capaz de catalizar a formação de um grupo para percorrer parte ou a totalidade da trilha, gostaria de ser informado. Novamente, muito obrigado!

        • Ana Vivian

          Olá Alexandre, pelo que acompanho há alguns grupos de trekking e travessias no facebook onde é possível que encontre companhia. Também não gosto da ideia de ser guiada, nem tanto pela questão financeira, que não teria condições no momento de qualquer forma, mas pela busca que me motiva a estar na natureza, não me atrai a ideia de ir com guia, tendo uma interação humana forçada, ou mesmo com grupos grandes. Enfim, com um aparelho GPS de confiança que tu já tenhas testado em outras trilhas, uma planilha ou trilha gps já instalada no aparelho, combinado a algum mapas de papel da região com informação de curvas de nível e rota(por motivo de segurança, backup mesmo, vai que quebra o aparelho gps, ou mesmo falha de bateria) mais uma bússola sabendo como usar para navegar associado a planilha em papel, não há muita margem pra se perder. Mesmo assim não recomendo ninguém fazer essa travessia inteira solo, pois emergências são possíveis, nem digo algo muito trágico ou raro, um pé torcido é algo até fácil de acontecer e você já não tem como sair do local sem ajuda externa. Há sinal de celular no topo dos picos mais altos, mas não há sinal em toda a trilha para o caso de necessitar ajuda de emergência. Abraços