Travessia Transmantiqueira {3 de 4} Serra Fina

  1. Preparação para Travessia Transmantiqueira
  2. Marins X Itaguaré
  3. Serra Fina
  4. Parque Nacional Itatiaia: Ruy Braga {Em Breve}

Percurso a pé: de Piquete ao portão da parte baixa do parque Itatiaia
Período: 3 a 17 de Maio de 2016

3. Serra Fina

Nascer do Sol na Pedra da Mina - Serra Fina

Nascer do Sol na Pedra da Mina

Transporte: Terminal Tietê, São Paulo-SP ônibus pela viação Cometa até Lorena-SP. Ônibus circular de Lorena até Piquete.

Tracklogs e relatos de referência: Cocô no Mato, A Montanhista, Mochileiros.com (Tiago Korb)

Resgate: não utilizado, vide referências acima para contatos.

Trajeto a pé: de Pinheirinho (bairro de Passa Quatro), Garganta do Registro até Parque Nacional de Itatiaia

Distância percorrida: aprox  ~33,5km de Travessia + ~22,5km trechos de estradas antes + ~22km estrada após = ~78km

Navegação:

  • Aplicativos GPS para IOS: GPS Trekker e Wikilok e  para Android: Locusfree,
  • Mapa em papel com curvas de nível disponíveis no portal Extremos
  • Bússola de camelô (esquecemos a nossa em casa) que ainda parou de funcionar,
  • Dezenas de relatos baixados para Kindle em formato epub,
  • Anotações primordiais nos mapas de papel.
  • Bateria extra usb para até duas cargas dos dispositivos eletrônicos.

Pontos de água utilizados:

  • Primeiro ponto de água após subida da toca do Lobo, antes da subida pro quartzito, numa fonte abaixo da trilha para a direita, descendo.
  • Base da Pedra da Mina
  • Vale do Ruah, Rio Verde
  • Final da trilha, 3km antes de chegar na fazenda abandonada.

Resumo Pernoites:

  1. Fazenda Santa Amélia
  2. Primeiro ponto de água antes do Quartzito
  3. Maracanã
  4. Pedra da Mina
  5. Acampamento Bandeirante (após Pico 3 estados)
  6. Estrada dentro da fazenda ao fim da trilha

1°dia

Bairro sertão dos Martins até Fazenda Santa Amélia
Saída: 5h30 | Chegada: 17h30
Distância em estrada: ~22,5 km

Campinho (abaixo do Itaguaré) até Igrejinha feito no dia anterior: 4,7 km

Estrada de chão até bairro Pinheirinho, P4, com a visão da Serra Fina em frente. Serra Fina.

Estrada de chão até bairro Pinheirinho, P4, com a visão da Serra Fina em frente.

Saímos ainda escuro com lanternas na cabeça de dentro do “cobertiço” da igrejinha onde pernoitamos no bairro Sertão dos Martins ao final da Travessia MarinsXItaguaré. Deveríamos fazer cerca de 14km e chegar ao bairro Pinheirinho ainda antes do meio dia, pois pensamos que seria domingo e o mercadinho do bairro estaria aberto só até as 12h.

Teríamos uma caixa com comida liofilizada e alimentos que nós mesmos cultivamos e desidratamos lá no sítio para ficarem mais leves para esta longa travessia que pretendíamos emendar na Ruy Braga do Parque Itatiaia. Como não haveria cidade no caminho entre as travessias, deveríamos levar comida suficiente para 8 a 9 dias + comida de emergência para um dia. Entre uma travessia e outra, apenas as vendinhas de produtos típicos da roça disponíveis na Garganta do Registro.

Chegamos as 10h no mercadinho do bairro Pinheirinho e fomos bem recebidos pelo Anderson, que aceitou receber e guardar nossa caixa com atenção sem nem aceitar nada por este serviço. Compramos algumas coisas que já sabíamos que ele teria no mercado para complementar.

Pra ver como o povo mineiro é querido, ele ainda chegou com a senha da wifi sem a gente nem pedir. Agradecemos por tudo e fomos até a praça para arrumar tudo com calma na mochila. Estranhamos que em pleno domingo o comércio todo estava aberto. Bem, pensamos, é a crise fazendo o pessoal trabalhar mais de domingo. Até que olhamos no celular, era segunda-feira. Não havia motivo nenhum pra termos saído com tanta pressa pela manhã…

Ao verificar que o mercadinho não havia fechado perguntamos se havia algum PF na redondeza, nos disseram que não, então carregamos o celular um pouco e íamos seguindo. Vestíamos as mochilas quando fomos interrompidos, era Anderson dizendo que já aguardavam por nós à mesa e que fazia questão de almoçarmos em sua casa. Já tínhamos boas lembranças demais da hospitalidade mineira quando passamos uns bons meses pedalando por lá, só não sabíamos que de mochila e perto da divisa também acontece disso!

Almoçados, ganhamos uns limões do quintal e nos mandamos pra pernada. Nosso tracklog estava errado, dizia que a fazenda toca do Lobo estava a 2km de Pinheirinho, mas na verdade eram aproximadamente 12km. Ao nos depararmos com a placa contestando nosso GPS quase não quisemos acreditar e bateu uma desanimada. Ainda mais por a mochila nunca ter estado tão pesada em nossas costas e o trecho ser só subida debaixo de sol quente.

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Meio apagada a placa, mas a visão é clara, são realmente 12 km pela frente!

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Pela estrada. Pinheirinho até Fazenda Santa Amélia

A cada curva uma nova meta: vamos até ali, depois só até lá, aí até aquela sombra, mais um pouco e tomamos água, mais até ali e lanchamos algo… e assim foi uma caminhada apressada até quase escurecer. Chegamos na sede da fazenda Santa Amélia com um espetáculo de pôr-do-sol, mas não havia ninguém para nos autorizar a acampada debaixo das araucárias antes do início da trilha.

Pôr do Sol na fazenda Santa Amélia no começo da Serra Fina

Pôr do Sol na fazenda Santa Amélia

Mesmo com o risco de não autorizarem, preferimos esperar mais um pouco do que seguir mais sabe-se lá quanto tempo morro acima até a toca do Lobo. Pretendíamos fazer uma sapecada de pinhão com aquela quantidade de grimpa que havia no terreno, já que durante a estrada viemos coletando uns quilos a mais de peso em pinhão, só pra testar a nós mesmos. Não seria nada legal fazer fogo em área de trilha, ainda mais pelo motivo de que ali na fazenda já havia nitidamente uma área em que o pessoal costuma fazer fogueira. Foi justamente ali perto que definimos o local ideal pra nossa barraca.

Enquanto limpamos o chão do local onde iríamos armar acampamento, ouvimos os cães latindo. Os donos haviam regressado. Outra vez, ficamos surpresos com a hospitalidade mineira. O proprietário não só autorizou nosso acampe, como convidou pra acamparmos na varanda, depois pra dormir dentro da casa, e por fim até ofereceu um banho e autorizou a fogueira. Aceitamos de bom grado a ducha, mas seria muito abuso da nossa parte até dormir dentro da casa. Como viemos pra nos aventurar mesmo, explicamos a ele que não se ofendesse, mas se fosse pra dormir em casa, a gente nem tinha saído da nossa, mas que a ducha, por conta de tantos dias caminhando, e com esse frio, seria uma renovação de ânimos!

Sapecados os pinhões, nos ‘bandiamo’ pra dentro da barraca, apesar de não estar tão frio, estávamos moídos. Foi a primeira vez que andamos tantos quilômetros em um único dia, foram quase trinta só pelas estradas de terra.

Há quem diga que caminhar pela estrada é monótono, mas eu achei o visual muito encantador, e como já estamos acostumados a percorrer estradas lentamente em bicicleta, não senti tédio ou algo do tipo. O tempo do caminhar nos permite observar o ritmo dos insetos, dos pequenos animais, borboletas e esquilos são facilmente percebidos a pé, pois o ruído é mínimo. Só senti falta da bike na questão do peso sobre o ombro, barrigueira da mochila apertada, senti falta das duas rodas e um par de alforjes.

A noite o vento se intensificou muito. Já estávamos por preparar a janta quando uma luz de lanterna se aproxima. Um rapaz que havia desistido da travessia ao chegar no Capim Amarelo com tamanho mau tempo. Nos perguntamos se seríamos capazes de prosseguir se o tempo não melhorasse, se esperaríamos um dia comendo só pinhão pra economizar os rangos de trilha, ou que faríamos. O cansaço decidiu por nós: dormir e decidir no dia seguinte, se é que será necessário decidir!

2°dia

Fazenda Santa Amélia – Acampamento na ultima água
Saída: 12h30 | Chegada: 15h
Distância em trilha: não sabemos, mas foi pouco.

Acampamento no descampado perto da primeira água da serra fina

Acampamento no descampado

Amanheceu com vento forte e chuva. Um tempo feio no horizonte. Dormimos mais, esperamos, descansamos, fizemos hora. Mais pelo cansaço do que pelo tempo feio. Até que lá por onze horas decidimos que deveríamos seguir. Já estávamos descansados, o tempo feio seguia lá. Deixamos um bilhete na porta da casa com um trocado pra ajudar com a eletricidade do banho e uma mensagem agradecendo a hospitalidade.

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Riacho e pocinho da Toca do Lobo. A trilha segue pelas pedras atravessando o rio.

Passamos pelo riacho cristalino da toca do lobo, começamos a subida íngreme onde a vegetação muda tão rapidamente, até alcançar as primeiras cristas, e estava tudo indo bem. Mas do local onde você consegue ver quase tudo ao seu redor, observar uma pesada nuvem negra se aproximar em alta velocidade não é algo que te anima. No máximo te força a agir rápido.

A chuva ia e vinha e nos abrigávamos a cada 5 minutos debaixo do tarp/poncho esperando passar, tentando segurar tudo pro vento não levar. logo em seguida: sol! E uns cinco minutos depois: chuva! E assim sucessivamente. Nesta saga demoramos muito para chegar até o ultimo ponto de água deste dia.

Primeiras subidas, chegando ao ponto de água na serra fina.

Primeiras subidas, chegando ao ponto de água.

Primeiras subidas da serra fina, os inocentes achando que o cocoruto já era o Capim Amarelo...

Primeiras subidas da serra fina, os inocentes achando que o cocoruto já era o Capim Amarelo…

Chegamos ao ultimo ponto de água, o próximo só na base da Pedra da Mina. Ele fica para a direita, descendo uma trilha quase invisível desde a principal. Eram 15h e eu comecei a sentir o corpo todo tremer descontroladamente enquanto esperava o André buscar a água. O vento e a chuva drenavam meu calor, me agasalhei mas a tremedeira continuava.

Comecei a perceber que o motivo não era só o clima frio, sentia meu corpo estava fraco e pedindo por repouso, sentia desconfortos internos estranhos. Menstruação, cólica, ferrou a trilha? Não, péra, calma!

Avisei o André que rapidamente me vestiu sua jaqueta, minhas roupas não estavam dando conta. Me aqueci e decidimos pelo óbvio: acampar ali mesmo, barraca desprotegida do vento, mas ao lado da água. Seria muito mais eficiente acampar ali e ter água pra uma higiene pessoal adequada, para tomar um chá quente e aquecer o corpo, hidratar-se direito, do que carregar água extra morro acima para andar só mais algumas horas em direção a ainda mais vento e quem sabe até mais chuva, com todo aquele desconforto.

No dia seguinte é só acordar mais cedo e agilizar o desmanche de acampamento, que essas horas perdidas hoje serão ganhadas amanhã.

Desta vez não esqueci de verificar quando seria meu ciclo e lembrei de trazer o coletor menstrual na mochila. Assim não preciso ficar carregando quilos de absorvente sujo durante a trilha inteira. Apenas preciso de um pouco mais de água a cada dia e uma pá  para enterrar o sangue (pá que já carregamos para enterrar o número 2) e não atrair animais.

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Barraca armada no descampado, pseudo-protegidos por um arbusto sobrevivente.

A barraca quando bem armada, deve resistir a fortes ventos. Mesmo a nossa que foi adulterada*, aguentou bem a ventania que fazia naquele cocoruto desprotegido e sem vegetação.

*Alteramos a estrutura da barraca para a travessia a fim de ficar mais leve, trocamos todos os cordins por similares mais finos e mais leves, assim como os espeques, retiramos todos os tecidos, telas e fitas desnecessários e substituímos aviamentos de regular os cordins por um nó muito batuta que faz a regulagem perfeitamente. A barraca é 4 estações e ficamos quentinhos lá dentro fechando todas as áreas de tela, mesmo com toda a ventania.

Outra vantagem de acampar neste local desprotegido (além da água próxima) era a vista! Víamos cruzeiro, Lorena, Aparecida. Víamos as nuvens correndo na serra ao lado, vimos o tempo limpar.

3° dia

Acampamento na ultima água – Maracanã
Saída: 9h | Chegada: 15h
Distância em trilha: não sabemos

A ideia era agilizar ao máximo pela manhã, mas ainda assim levamos cerca de 2h. Enquanto guardávamos tudo, vimos ao longe ‘pixels’ coloridos na trilha. Eram mais pessoas em plena terça-feira se aventurando no mato. Já com tudo pronto o pessoal se aproxima, trocamos algumas informações sobre a água, nós seguimos e eles foram se abastecer. Seria um dia mais curto, já que o começo fizemos no dia anterior, saímos por volta de 9h.

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Um dos lances de subida ao Campim Amarelo

Enquanto subíamos, eu pensava, caramba, em 15 minutos devemos ser ultrapassados por aqueles caras. Passou meia hora, uma hora, duas horas, e nem sinal do pessoal. Nós achamos estranho porque eram uns caras fortes, claramente bem preparados, e nós geralmente somos sempre ultrapassados… Fiquei pensando que algo poderia ter acontecido.

Um pouco de vista, quando a névoa deixava ver a serra fina

Um pouco de vista, quando a névoa deixava

A trilha foi linda a manhã inteira, com intermitentes raios de sol em meio a névoa que se dispersava e cobria tudo. Não víamos muito bem ao redor, era como lapsos, como num sonho em que as imagens não são nítidas. Tampouco víamos os caras que estavam pra trás. Chegamos no Capim Amarelo pro almoço. Neblina e vento foram nossa sobremesa. Nos abrigamos nos capins elefantes para cozinhar um purê de batatas junto com nossos confiados amigos ratinhos. Mas eles eram tão acostumados que nem se assustavam com nosso movimento na direção deles. Ficamos espertos, pra hora do acampe não vacilar deixando comida fácil pra eles.

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Livro cume Capim Amarelo para o almoço, uma visão tremenda, ‘tremendasperna’ de frio, vento, neblina e chuvisco.

Assinamos o livro cume e ligamos o Gps já sabendo que a saída do Capim Amarelo era confusa conforme os relatos. Chegamos num local onde há uma placa “Pedra da Mina” e uma seta indicando um abismo de pedras. Não pode ser por ali… Voltamos e seguimos o track GPS, andamos, andamos e…Opa! Livro Cume, andamos em círculo. A neblina e o vento não facilitavam pro nosso lado. Travamos o giro automático da tela do GPS, agora sim, vambora! A placa para Pedra da Mina também estava errada, há um caminho menos perigoso sem passar por aquele abismo de pedra.

Começa o trecho de bambuzinhos assassinos de equipamentos de novo, encontramos uma marmiteira na trilha, alguém perdeu ela pros bambus. A neblina condensa na vegetação e molha a roupa inteira, começa a chuviscar. Chegamos no Maracanã pouco antes das 15h, foi o tempo de montar acampamento, explorar um pouco o local, que desabou água pesada.

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Coletando água de chuva na nossa mais nova panela achada na trilha.

Como carregávamos 4L apenas cada um para durar até metade do dia seguinte, no mínimo, e tendo em conta que eu teria minha manutenção feminina pra fazer, começamos a coletar a água que escorria pela barraca, e rapidamente enchemos uma bolsa de 6L que seria mais que o esbanjamento pra lavar louça, tomar banho e até lavar umas meias.

Já escurecia quando o pessoal finalmente chegou ao acampamento, ainda chovia e não ouvimos ninguém cozinhando ou comendo, apenas roncando! Desejamos ter seguindo um pouco mais para ter uma noite mais silenciosa, mas aí teríamos pego aquela chuvarada no caminho. É, não dá pra ter o melhor dos dois mundos.

4° dia

Madrugada quase amanhecendo no Maracanã na serra fina.

Madrugada quase amanhecendo no Maracanã

Maracanã – Pedra da Mina
Saída: 8h | Chegada: 14h30
Distância em trilha: não sabemos

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Gororoba matinal pré misturada: farinha de mandioca que nós mesmos produzimos, banana passa que nós mesmos desidratamos, amendoim que nós plantamos e tostamos. Já a uva passa, o açúcar, o côco ralado e o leite de soja em pó nós compramos mesmo. Mistura com água morna e záz!

Antes de clarear o dia já preparávamos nosso café da manhã. O plano era seguir rápido para não pegar a previsão de chuva que dizia exatamente o mesmo que o dia anterior: após 15h a neblina vira chuva. Como o Windguru vinha acertando as previsões dos picos da Mantiqueira desde o Marins, esta era nossa estratégia: consultar o “índio”, e se ele mandar, sair cedo, quando o tempo está mais limpo e chegar ao acampamento o mais cedo possível. Assim também teríamos uma margem de segurança para os “perdidos” da trilha.

Acampamento Maracanã, amplo, mas inclinado. Serra fina.

Acampamento Maracanã, amplo, mas inclinado.

Mesmo amanhecendo com um tempo limpo espetacular e finalmente temos visão de alguma paisagem além de alguns palmos do nariz, nossa festa não durou muito tempo, precisamente durou só até as primeiras subidas. Ainda víamos as barracas laranjadas do pessoal lá em baixo no maracanã.

Assim que saímos desta crista onde víamos o acampamento e o Capim Amarelo nas nossas costas, o tempo fechou de névoa outra vez e perdemos totalmente a referência visual de nossa direção. O mapa de curvas de nível seria em vão.

Esta condição climática* foi uma regra em quase todos os dias desta longa travessia desde Piquete, e foi essencial o aplicativo GPS instalado em dois aparelhos de celular. Mesmo sem referência visual nenhuma, ligávamos a antena e rapidamente o aplicativo nos dava a localização bem exata. Em pontos de dúvida, bastava seguir um pouco para ver se estávamos no caminho e direção correto ou não.

Até a Pedra da Mina haviam alguns refletivos nas pontas dos capins, em pedras e em alguns totens. Mas as vezes caíamos em alguma bifurcação que levava tempo para encontrar outro refletivo. Nestes casos retornávamos até o ultimo totem ou refletivo visto, e tentávamos outro caminho, sempre conferindo com o gps.

*Sobre o clima desfavorável, acredito que ir muito no começo ou muito perto do final da temporada de inverno não é a melhor das opções, pois o clima invernal costuma ficar mais seco em junho, julho e agosto. Mas como moramos longe e só tínhamos esta data, não teríamos como esperar uma condição melhor. De todo jeito foi ótimo como um treinamento em navegação e no tal “muita calma nessa hora”, nada melhor que uma condição desfavorável em que não podemos evitar ou fugir para servir de desafio e treinar nossa mente e nosso corpo. Felizmente fomos preparados para os perrengues que enfrentamos, mas sabemos que tudo pode ficar muito pior, principalmente nos cumes.

Paramos pra almoçar em um cume antes da água, de lá numa das limpadas esporádicas víamos o morro do Tartarugão e a Pedra da Mina. Nesta limpada parecia que seria fácil navegar até a Pedra da Mina, mas assim que a neblina fechou outra vez, sem o gps era como andar vendado. Chegamos na água perto das 13h, abastecemos muito além do que costumamos, cerca de 5L cada um, pois o próximo ponto de água seria só lá pelo meio do dia seguinte no Ruah, e além de que faltava pouco para chegar ao destino do dia.

Como fazia muito vento e muito frio, tivemos poucas paradas para descanso, pouca foto, e subimos pra P. Mina num gás, tentando reaquecer o corpo. O vento chegava a desequilibrar, mas não estava tão forte a ponto de nos derrubar como na descida do Itaguaré dias antes. Não víamos mais nada a não ser um ou dois metros adiante, ou até que uma rajada de vento mais longa dispersasse a neblina.

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Mochila pensando mais após carregar água para a noite, subida para a Pedra da Mina, lá em baixo as nuvens encobriam Cruzeiro

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Subida para a Pedra da Mina, navegação por totens, ao fundo Morro do Tartarugão.

Quando vimos o livro cume quase não acreditamos. Enquanto exploramos os locais de acampe para escolher o melhor, a vista limpou como um milagre e o sol começou a nos aquecer. Tratamos de montar acampamento rápido a fim de garantir o melhor lugar e mais tempo de descanso aquecidos com roupa seca.

Na Pedra da Mina o acampamento é disputado, há poucos locais no cume, e outros pontos um pouco mais abaixo ou meia hora adiante no Vale do Ruah. Além do grupo que encontramos na rota normal, mais pessoas poderia chegar via Paiolinho e o melhor era garantir logo nosso espaço, não queríamos perder a oportunidade de finalmente dormir num cume, depois de tantos dias sem nenhuma visibilidade.

Bom, o “índio-guru” errou a previsão pro cume da P. Mina, muito embora lá embaixo a coisa não parecia estar das melhores, com muita nuvem baixa carregada, possivelmente estaria chovendo se estivéssemos umas duas horas atrasados.

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Foto comemorativa no Cume da Pedra da Mina, atrás de nós o livro cume.

Com tanto tempo livre no final da tarde, ficamos a contemplar o jardim em miniatura que cresce nestas lajes de pedra. Depois de muita foto, e o sol já ter se despedido, nos preparávamos pra entrar na barraca vencidos pelo frio, vimos ao longe, no ponto onde o sol se pôs uma imensa nuvem e muitas descargas elétricas, um espetáculo lindo.

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Tivemos tempo e sorte pra apreciar o pôr do sol da Pedra da Mina. Aquela nuvem lá no fundo, querendo tapar o sol, alguns minutos depois se adensou e começamos a ver muitos raios.

Começou a bater um leve ‘cagasso’, e a cada uns 10 minutos monitoramos a direção do vento e a direção do avanço dessa nuvem pisca-pisca. Nossa estratégia maravilhosa em caso da nuvem vir na nossa direção, seria fincar os bastões de caminhada no chãovsem a borracha , em um ponto mais alto que nossa barraca, veja que ideia magnífica! E o plano B se a coisa ficasse feia, era começar a desmontar acampamento antes da nuvem chegar muito perto e correr pro acampamento mais abaixo ou pro vale do Ruah.

Como havia sinal 3G ali, baxei a nova previsão do tempo e o “índio” dizia que o vento vinha de outra direção e não traria a nuvem pra gente. Confirmei a direção do vento com a bússola e dormimos tranquilos. Acordamos “de madrugada” com a chegada do pessoal, eles haviam dito que acampariam no Ruah, mas chegaram muito cansados e acamparam nas pirambas pouco favoráveis a uma boa noite de sono ali do cume mesmo. Já estava escuro e muito frio, mas eram apenas 18h30. Sendo que nós havíamos jantado as 17h, já era madrugada pra gente, eu estava no quinto sono.

André levantou pra ver o céu e saudar o pessoal, eu só mandei um alô ali de dentro mesmo, porque tinha pouca roupa quente pra ficar naquela friagem. Por castigo, deixei de ver o que seria o maior meteorito da minha vida, nas palavras do André, que viu o começo da bola de fogo azul e ainda deu tempo de chamar os caras pra ver também, tamanho o rastro da “estrela cadente”. Perdi mais essa por não ter um bom equipamento de vestuário para o frio fora da barraca depois que escurece.

5º dia

Pedra da Mina – Acampamento bandeirante
Saída: 9h | Chegada: 17:30
Distância em trilha: não sabemos

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Nascer do sol atrás do itatiaia

Despertador toca as cinco e meia, saímos da barraca pra começar a ver a luminosidade avermelhada do nascer do sol no que seria nosso único dia de amanhecer com tempo limpo de toda a nossa travessia Transmantiqueira. Entre fotos e contemplação, atrasamos o café da manhã sem saber que seria o dia mais longo. Planejávamos tentar chegar até o alto dos Ivos, audaciosos, mas sabíamos que haveriam alternativas de acampe no meio do caminho caso não tivéssemos pique.

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Vale do Ruah

As 9h, já sem agasalho nenhum de tanto calor que sentíamos com o tão desejado sol, descemos pro vale do Ruah, e já víamos a direção que deveríamos tomar naquele emaranhado de trilhas no charco. Descemos um caminho à direita por uma crista, o vale estava a nossa esquerda. Não tardou muito e já estávamos sentindo a esponja molhada debaixo da bota. Antes de tudo piorar, encontramos um ponto de acampe seco e firme onde tiramos as botas e penduramos elas na mochila, vestimos os crocs e a polaina anti-cobra que tava mais servindo pra não dar canelada nos bambuzinhos e nas pedras, mas que também servia muito bem pro lado psicológico.

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Charme do Rio Verde, água cristalina, e árvores que parecem bonsais com algumas centenas de anos.

A melhor decisão de todos os tempos: trazer crocs pra Ruah! Quase perdi um dos pés no atoleiro, tive que enfiar o braço quase até o ‘suvaco’ pra resgatar o calçado e não foi fácil puxar ele pra fora da esponja. Aprendi rapidinho que deveria pisar só onde parecia mais firme e não confiar e pisar com muito entusiasmo naquela vegetação musgosa. Passos rápidos e quase pulos, e quando possível andar sobre os tufos de capim.

Encontramos uma linda cascatinha onde tomamos o que chegaria a mais próximo de um banho, lavar o rosto com água corrente, passar um pano bem molhado no corpo, ah que delícia! Vestimos as botas neste trecho, apesar de ainda ter alguns charcos, já era possível andar sem atolar até o joelho. Quando a trilha começa a subir o morro, voltamos e enchemos as bolsas de água.

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De novo, eles, os lenços umedecidos sujando a trilha

Chegamos na brecha cansados, pensando que ali já era o cupim de boi, já que a estraga prazeres da neblina dava as caras. Não víamos nenhuma montanha com formato de cupim. Mas o segundo estraga prazeres nos dizia que ainda estávamos longe de estar perto, o GPS, teria mais algum sobe e desce no meio dos tais bambuzinhos. Encontramos mais alguns equipamentos sequestrados por eles. Um jogo de mosquetões bem legais e mais um óculos de sol. Além é claro, dos infames lenços úmidos que não se decompõe e voam pra todo lado ficando preso na vegetação tipo enfeite de árvore de natal.

Se você não quer ser um idiota nas trilhas, não jogue papel ou lenços na natureza e leia este post com algumas dicas para minimizar seu impacto em ambientes naturais.

Passar pela crista do Cupim de Boi com a ventania que fazia foi algo! O tempo deu uma limpada e vimos aquele rochedo maravilhoso que fica às nossas costas. Não paramos de andar ali, dava a sensação de que o vento poderia nos jogar para aquele abismo em negativo.

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Passando pela crista do Cupim de Boi na Serra Fina

Na descida, ao fundo do vale encontramos um acampamento muito cenográfico, todo dentro do bambuzal escuro, parecia cenário de filme de gnomos. Era cedo e nossa meta ainda estava longe. A subida ao Pico dos 3 Estados parecia não ter fim. Estava muito úmido e frio nesta face, e já entardecia rapidamente. Chegamos ao cume com o sol indo embora atrás de uma pesada nuvem no horizonte, o que antecipou o anoitecer em pelo menos meia hora.

Pico 3 Estados

Animação ao chegar no cume do Pico 3 Estados?

Logo tudo ficou tapado de névoa lá em cima, fizemos uma foto rápida e tosca nos ferros retorcidos com os nomes dos 3 estados, e seguimos ladeira abaixo rumo ao próximo ponto de acampe possível. Estávamos exaustos, qualquer parada o frio nos invadia, e já estava escurecendo e não tínhamos a menor vontade de enfrentar a trilha com lanternas e aquele vento. Desde a Pedra da Mina já não víamos refletivos na vegetação. Deixamos o Ivos pro dia seguinte e acampamos ali mesmo.

Quando estávamos jantando, ouvi uns barulhos mais fortes que o simples raspar da barraca nos capins. Furos na barraca, furos no meu saco estanque das comidas. Ratos! O danado sentiu cheiro através do saco estanque! Tive que costurar a barraca as pressas enquanto André ia guardando em diversos sacos múltiplos a comida. Deitamos e o roque-roque continuou. Ele roeu em mais 3 outros pontos onde nem havia comida. Tá de sacanagem, rato! Preguiça de costurar, taquei uma fita metálica e bóra dormir com toda comida sobre os isolantes, entre nós dois, e com vários sacos embalando tudo.

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Parque Nacional do Itatiaia e a Lua eram nossa vista do acampamento Bandeirante

6º dia

Acampamento Bandeirante – Estrada entre fazenda abandonada e o sítio do Pierre
Saída: ~9h | Chegada: 13h30
Distância em trilha: não sabemos

Acampamento Bandeirante

Acampamento Bandeirante de manhã

Assim que o despertador tocou as 5h30 nos arrependemos de não ter andado mais no dia anterior, nem que fosse a noite e com aquela ventania. Qualquer coisa seria melhor que andar debaixo de chuva e ventos fortes. Decidimos esperar um pouco mais pra levantar, na esperança vã de que o tempo melhorasse.

As 9h criamos vergonha e vimos que não ia mudar nada esperar, aliás, estava piorando, e partimos caminhada. Colocamos todos os “impermeáveis” e logo percebemos que a vegetação tava molhando mais que a chuva. Deixamos todas as comidas mais calóricas e fáceis num bolso bem acessível e caminhamos com a cabeça abaixada e o foco no fim da trilha onde esperávamos ter alguma ajuda para secar a roupa e nos aquecer.

Ex-impermeáveis!

Ex-impermeáveis, depois dessa serão aposentados!

Isso só iria acontecer muitas horas depois. Até chegar a algum momento confortável finalmente, foi duro. Foi o dia mais duro de toda travessia. Duros de frio e de apreensão. Não tinha como parar e descansar, no máximo parávamos para tirar toda a roupa e torcer o excesso de água e engolir chocolate com amendoim e voltar a caminhar.

Meus agasalhos já velhos, não deram conta de barrar a água, tudo encharcou. Já o André decidiu economizar peso e nem trouxe os dele, apenas um poncho, que com aquela ventania toda, virava quase um pára-quedas, ele teve de colocar o excesso do poncho pra dentro da calça se não quisesse ser arrastado feito um balão pelo céu do Alto dos Ivos.

André sem anoraque, só no poncho!

Tarp-Poncho pra quem quis economizar peso do anoraque, quase virou um parapente no Alto dos Ivos. Ao menos protegia do vento um pouco.

Caminhamos forte e o mais rápido que conseguimos, até porque era descida e estávamos bem mais leves apesar de ter comida ainda para mais 3 a 4 dias, não precisávamos carregar aquele peso em água dos dias anteriores. Quando o corpo esquentava pelo exercício nosso humor dava uma melhorada. A descida do Alto dos Ivos seguia uma aresta exposta com pouca vegetação e com as rajadas de vento que batiam nós caímos diversas vezes. O alívio era quando entrávamos nos bambuzais, onde o vento ficava parcialmente barrado e parávamos de nos desequilibrar tanto.

Quando finalmente chegamos num bosque de árvores de troncos fortes e copa alta, o trajeto ficou quase plano e pudemos quase correr, não fossem os bambus agora de um tipo maior e mais entrelaçado, que nos pinçava aqui e ali, desgastando um pouco mais de nossa energia. E as botas molhadas pesando alguns quilos além do normal.

Quando chegamos na água, corpo quente, fizemos a burrada de tirar a roupa para torcer a água. As botas viraram uma tigela de água. Batia um solzinho fraco e tínhamos esperança de secar a roupa. Mas ele logo desapareceu e o corpo já frio começou a tremer. Vestimos rápido a roupa gelada e com o queixo batendo seguimos mais um pouco. Demos de cara com um lugar abandonado, vimos só um esquilo pulando pelos galhos de araucária. A névoa deixava o lugar mais misterioso, o que terá sido esse lugar no seu auge?

Fazenda Abandonada

Fazenda abandonada, mas não o fim da caminhada!

Tremíamos demais. Ajuntamos umas grimpas debaixo das araucárias, e num local já com marca de fogueira fizemos uma sapecada sem pinhão (todos comidos pelos esquilos) e tentamos nos secar um pouco. O fogo intenso e rápido das grimpas secou tudo e nos aqueceu, mas perdemos algumas horas neste processo.

Tínhamos esperança de encontrar algum caseiro que nos autorizasse acampar ali, mas não encontramos ninguém, nem água. Decidimos seguir até escurecer e quando chegamos na estrada aberta vimos uma casinha lá em baixo que ainda estavas longe, chegaríamos lá com a noite. Por experiências anteriores sabemos que os moradores ficam mais assustados e menos propensos a autorizar acampe nesta condição.

Acampamos ao lado da estrada a caminho do sítio do Pierre, com vista pra Pedra do Picu

Acampamos ao lado da estrada a caminho do sítio do Pierre, com vista pra Pedra do Picu

Tentando secar a bota perto do fogareiro #fail!

Tentando secar a bota perto do fogareiro #fail!

Se avançamos pra mais perto da estrada de asfalto, conseguir autorização de pouso poderia ser cada vez mais difícil. Não quisemos arriscar a confirmação de um não que já tínhamos, e acampamos ali mesmo na estrada, depois de passar uma bica de água. Não era o melhor dos lugares, mas estávamos secos e com aquele aroma de fumaça que disfarçava o cheiro das roupas de 6 dias de travessia sem banho.

Não estava tudo mal, em menor altitude a noite não era tão fria, ainda tínhamos um purê para parte da janta, tínhamos certeza de conseguir algo como arroz ou pão com os vendedores da garganta do registro, e tínhamos a vista pra Pedra do Picu.

7º dia

Estrada da fazenda abandonada – Acampamento Rebouças Parque Nacional do Itatiaia

Saída: 9h | Chegada: 17h
Distância em estrada: ~22km

Ninguém apareceu pra reclamar que estávamos acampando ali. Então agora que já dormimos mesmo, desmontamos acampamento com calma, e pela primeira vez na travessia esperamos a barraca secar ao sol. Mas as roupas ainda estavam um pouco úmidas, e as botas bem molhadas. Mesmo com esse leve desconforto seguimos com muito bom humor pela estrada, finalmente sol durante a caminhada.

Estrada para Garganta do Registro

Estrada para Garganta do Registro

Chegamos pouco depois das 10h na garganta do registro e começamos o corre atrás de comida. Comemos um pinhão cozido na primeira venda, que por ser do dia anterior a senhora nem quis cobrar. Depois algumas pamonhas, café e suco de laranja, tudo um por cima do outro, pense o revirado dentro da pança, mas a fome de comida diferente da comida de trilha era insana!

André conseguiu alguns pães, um pouco numa venda aqui, outro tanta na outra ali… Com arroz a mesma coisa, não são produtos que eles vendem, mas costumam ter pra uso próprio e nos cederam algumas gramas, o que facilitou a venda é que dispúnhamos de uma balança eletrônica portátil. Ainda ganhamos uns doces de uma moça que estava fazendo entregas. E também conseguimos carregar o celular enquanto comíamos.

Uma hora depois seguimos a caminhada rumo ao parque. Não sabíamos muito bem quanto tempo levaria até o primeiro acampamento. Logo nas primeiras placas nossa estratégia de acampar na beira da estrada foi frustrada, não é permitido acampar na área do parque sem ser nos campings estruturados. Em uma bica de água, paramos para passar uma toalha molhada no corpo, lavar a cabeça e tirar a nhaca de defumados.

Era um domingo e passavam muitos carros. Não pedimos carona pra subir ao parque, tampouco alguém parou para oferecer. A estrada é bem bonita e em algumas brechas de vegetação finalmente víamos os contornos da Serra Fina ao longe, tentando adivinhar por onde havíamos andado.

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Quando chegamos no Posto de Controle “Marcão” as 16h, o guarda-parque disse que já estava fechado. Falamos que estávamos vindo a pé pela estrada, aliás, a pé desde Piquete. Nisso a conversa e a cara do rapaz mudou. Ele nos autorizou a seguir até o camping do Rebouças, a 45 minutos, nos fez preencher um monte de papeis. Falou inclusive repetidas vezes que se alguém é pego acampando fora dos quadrados 3×3 m é processado na certa. Ok, entendido!

Pagamos as taxas, mais alta por ser domingo, mas os dois juntos não chegou a R$50 para duas noites de camping (um estruturado e outro selvagem) e autorização para percorrer a travessia Ruy Braga.

agulhas-negras-itatiaia

Varal na mochila, quem nunca? Ao fundo Agulhas Negras e a luz maravilhosa de um final de tarde ensolarado!

O Guarda-parque era engraçado, falava rápido demais e repetia várias vezes a mesma informação. O mapa que o parque fornece é realmente precário, mas pra compensar, a travessia que pretendíamos fazer começou tão marcada quanto uma estrada.

Chegar a um parque depois de fazer Serra Fina, nos deu a impressão de que vai ser molezinha. Caminhamos o mais rápido que pudemos pela estrada de pedras soltas a fim de chegar ao acampamento para aproveitar o pôr do sol. Até o este abrigo é possível chegar de carro. Aliás ficamos sabendo que esta travessia Ruy Braga já foi uma estrada!

Não fazíamos ideia de que o local teria até chuveiro (frio, mas é água encanada afinal) e um refúgio tão bacana por apenas R$4 a mais que o camping, com direito a dormir quentinho e cozinha com fogão industrial. Mas teria que levar a chave de volta na manhã seguinte. Por querermos seguir a travessia Ruy Braga optamos pelo camping mesmo.

Noite de Lua e céu limpo no camping do Abrigo Rebouças, PN Itatiaia

Noite de Lua e céu limpo no camping do Abrigo Rebouças, PN Itatiaia

A noite nasceu uma lua cheia e o tempo permaneceu firme e nos permitiu ver um céu maravilhoso. Estávamos animados para o dia seguinte.

No próximo relato a Travessia Ruy Braga, do Abrigo Rebouças até a portada da parte baixa do Parque Nacional de Itatiaia.

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Ana Vivian

Aprendeu ler, pedalar e viajar na infância. Através das palavras, dos pés ou da bicicleta sonha conhecer o que ainda não viu. Saiba mais ->

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  • Carlos

    Parabéns pelo excelente (e engraçado) relato, lindos registros.
    Muito bacana a consciência ecológica que vcs agregam em cada postagem, parabéns por isso, acima de tudo. Vejo muita gente falando em “conexão” com a natureza, trilhas, bike… mas, de fato, não fazem a menor idéia ou não se importam mesmo com os resíduos de suas aventuras “ecológicas” (que não tem nada de eco, nem de lógica).
    Um forte abraço no casal. Espero um dia visitar vcs e comer esse pinhão sapecado na fogueira.
    Carlos Alcântara

    • Andre Costa

      Fala Carlos,
      opa, que legal seu comentário, muitíssimo obrigado!! =)

      É isso ae, mas apareça mesmo!!! Só que pinhão só no inverno ein! rsrs…

      Abraços!!

  • Carlos

    André, falando em tempo e alimentação, estou começando a esticar minhas pedaladas e pretendo realizar uma pequena viagem em breve, algo em torno de uma semana. Pois bem, li suas postagens sobre alimentação, na seção “dicas” se não me engano, porém, uma dúvida ainda martela minha preparação; qual a rotina alimentícia que predomina na estrada? compreendo que cada dia trará situações variadas, complicando a manutenção de alguma disciplina em horários e, por que não, cozimento de alimentos. Pergunto, pois já passei do 6.0 e tenho hábitos alimentares que mantenho com certa disciplina, uma dela é cozinhar meus vegetais nas 3 refeições. Será viável utilizar fogareiro 3x ao dia, na estrada, de bicicleta? Não pergunto pelo fogareiro, sim pelo trabalho. Tenho essa dúvida, pois imagino ser um tanto trabalhoso. Me desculpe desviar o tema de sua postagem, que se trata de trekking, mas estou receoso entre passar fome na estrada ou ocupar metade de meu dia no trabalho de cozinhar/lavar/embalar.
    Obrigado e um forte abraço.
    Carlos Alcantâra

    • Andre Costa

      E aí Carlos!! Opa, claro que é possível! Mas dependendo da região e clima de onde estiver, talvez terá de modificar um pouco seus hábitos. Sempre cozinhamos café da manhã e janta. Mas em alguns locais, parávamos para cozinhar almoço de vegetais no meio do dia para esperar o sol quente passar.

      Em alguns lugares vai precisar carregar mais peso por conta dos vegetais, mas tranquilo, peso na bike é leve, bem mais leve que na mochila caminhando, eheheheheh….

      E outra, em viagens longas não precisa ter pressa, então se você pedalar 3,4horas por dia, está tranquilo né. =)

      Abração!!! Valeu!

  • Carlos Alcântara

    Boa tarde, André. Obrigado pelo esclarecimento. Agora em setembro farei uma pequena viagem um pouco mais longa e vou utilizar a rotina que vc sugeriu, duas refeições maiores pela manhã e a noite, frutas e vegetais in natura durante o dia. Vou bem devagar, sem dúvida, o que faz a viagem ainda mais proveitosa. Um última dúvida, essa viagem maior que pretendo realizar no futuro é pela região do altiplano andino, e daí vem a dúvida, como é o acesso a internet na estrada pela região? Trabalho de casa, preciso de internet 2x na semana, no mínimo. Como irei daqui até lá pedalando, vc acredita que terei dificuldades em conectar meu laptop na internet? Sinto receio em ficar mais de uma semana sem conseguir conectar, pelas cidadezinhas da america latina e, porque não, do interior do país. Obrigado pela atenção, André. Um forte abraço, Carlos

    • Andre Costa

      Fala Carlos,
      opa, beleza, tranquilão.

      Se você não passar por uns roteiros muito perdidos, procurar pegar mais estradas principais, sem problema algum. Nós passamos pelo parque eduardo alvaroa e ficamos quase 2 semanas sem internet, mas tirando lá, tranquilo.

      Abração!! =)

  • Carlos

    Muito obrigado pela atenção, André. Como até hoje eu nunca saí de minha cidade pedalando e nunca pernoitei, tenho muitas dúvidas. Conheço algumas pessoas que viajam de bike e até acampam como vcs, mas eu pretendo ficar em pousadas. Acredito que preciso de mais experiência para me aventurar com barraca e um estilo mais auto-suficiente. Estou lendo o blog aos poucos, esclarece muitas dúvidas. Um forte abraço e boas pedaladas para o casal.