Pedarilhos

Encontro Nacional das Bicicletadas – Curitiba 2009 [2]

Setembro 3rd, 2009

[Post 2 de 2]

No domingo saímos ainda escuro para encontrar o pessoal no hotel para a “descida” da Serra da Graciosa. Chegamos mais rápido do que imaginávamos, ruas vazias. Pessoal concentrado em frente ao hotel, partimos em um grande grupo sob uma névoa no amanhecer já ensolarado de Curitiba.

Saída do Hotel - centro de Curitiba

O trajeto todo foi uma festa. Conhecendo pessoas simpáticas cheias de boas histórias pra contar. O nosso passeio coincidiu também com uma competição que fazia o caminho contrário.

Pedalar em grandes grupos é sempre muito bom para nos relacionarmos com outras pessoas. Nesses momentos nos tornamos extremamente solidários, e coisas que normalmente não tem muito valor passam a ser extremamente valiosas, um gole de água, informações sobre o caminho, ajuda com a bike, etc…Nem percebemos o caminho passar quando estamos a pedalar e conversar com boas pessoas.

Somos Gigantes

Almoçamos e nos despedimos do pessoal em Morretes. Voltamos pelo mesmo caminho que viemos. Paramos no primeiro camping, a 7,5 km de lá. Lugar lindo! Colocamos a barraca na margem do riacho. Tomamos um banho de rio, um banho de verdade, jantamos enquanto observávamos vaga-lumes e fomos descansar ainda antes das 8h da noite. As 2 e meia acordamos para seguir a longa subida que nos esperava. A visão das descidas do dia anterior assustava. Ainda com muito sono e dores musculares, enfrentei com o apoio do André a escuridão, os cães e as subidas. Quando começou o paralelepípedo achei que não conseguiria. Mas devagar e por vezes empurrando a bicicletas seguimos em frente.

Madrugada Graciosa adentro

Sentimos com mais gosto aquela paisagem quando subimos. Parece que ela fica ainda mais bela se observada mais demoradamente na subida do que como um vulto quando descemos. Ouvir o som do acordar dos animais antes do sol raiar foi algo inexplicável. Como quase não passavam carros, conseguimos perceber melhor os cheiros das flores e os sons de cachoeirinhas e animais, a Serra era nossa.

Sol nascendo na Graciosa

Após um almoço em Quatro Barras, retornamos alguns quilômetros para pegar o acesso que nos levaria até a casa do José da Alto Estilo. As subidas não tinham fim, e minhas pernas já não davam conta. Optamos por deixar as bicicletas no meio do mato para seguir a pé. Por sorte já estávamos chegando. O José é dono da marca, cuja fábrica fica no pé do Morro Anhangava, na qual só trabalham montanhistas que, pelo jeito, levam a vida no ritmo da natureza. Fomos até lá para conhecê-lo e para pegar algumas mercadorias para iniciar as atividades da Pedarilhos, economizando um transporte, algumas pratas e seguindo a filosofia que criamos para nossa recém iniciada empresa. Descobrimos que o pensamento da Alto Estilo está muito próxima da Pedarilhos, produzir e vender produtos não orientado para o consumismo, mas para um consumo consciente, cuidando dos produtos fabricados mesmo após anos de uso, para que seu ciclo de vida seja o mais longo possível. Enquanto estávamos entre conversas, descobrimos que a irmã do José também é cicloturista. Nos contou algumas histórias e nos deu sugestões de lugares para futuras viagens. Nos despedimos e seguimos para o grande Centro.

Serra da Graciosa

Dificuldades para encontrar o acesso no início, mas pegamos a BR e foi uma maravilha de retorno. Alem de atingir boas velocidades no vácuo dos caminhões, e depois alguns engarrafamentos, sentimos mais segurança para continuar pedalando.Também fomos contemplados com um pôr-do-sol avermelhado recortado por um horizonte de prédios. Por pressa acabamos não fazendo este registro nas fotos, mas é uma das imagens que ficará em minha memória. Na BR muitas pessoas a retornar de seus trabalhos em bicicleta.

Chegando ao acesso para o centro, encontramos pela frente um ciclista. Maior sorte não poderíamos ter. Perguntamos por informações, e ele estava indo para um local muito próximo da rodoviária. Nos levou até lá com muita gentileza, cortando caminho “na manha”, em menos de 20 minutos estávamos lá. Agradecemos e incrivelmente ele nos pediu desculpas “por qualquer coisa”. Oras, desculpa de quê? Só tínhamos a agradecer, e muito! Talvez, sem a ajuda dele levaríamos mais que o dobro do tempo, e àquela hora da noite até seria mais perigoso pra nós que não conhecíamos as ruas. Depois tentamos continuar pedalando pelo centro de Curitiba até chegar ao outro local que precisávamos ir, mas desistimos da via e fomos pelas calçadas. Realmente pedalar em Florianópolis é mais tranqüilo na minha opinião. Admiro a coragem dos ciclistas curitibanos.

Enfim na rodoviária, colocamos as bicis no bagageiro do ônibus da Catarinense sem maiores problemas e caimos num sono só. Já em Florianópolis, mais alguns quilômetros de bicicleta até em casa e finalmente o descanso.

Todas as fotos da viagem aqui.

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1 Comentário »

  1. Daniel Chagas

    realmente a estrada da graciosa é muito bonita. passei de bus para ir até a entrada do parque estadual de marumbi, mas para subir a pé. acho q de bike deve ser muito irado. parabens aos aventureiros. abracos

    Comentário por Daniel Chagas — 06/04/2010 @ 10:50

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